Nuno Félix

Nuno Félix Scout internacional

Diretor(a) Desportivo(a), observando o Mundo, conhecendo o Futebol!

A recente nomeação de Helena Costa como diretora desportiva do Estoril Praia SAD é um marco significativo para o futebol português. Esta escolha não só quebra barreiras de género num mundo tradicionalmente dominado por homens, mas acima de tudo, destaca a importância crescente da experiência em scouting internacional para cargos de gestão e de liderança nas estruturas profissionais de futebol.

Helena Costa, com um percurso profissional nas áreas do treino, numa primeira fase, e numa fase posterior no scouting internacional, que incluiu passagens por clubes históricos como o Celtic e o Benfica, traz consigo uma bagagem valiosa de conhecimento e experiência. 

Nesta trajetória profissional quero, no entanto, relevar a sua experiencia de trabalho com Ben Manga, nome respeitado dentro e fora da Alemanha e na pequena comunidade do scouting internacial. O próprio Ben, um exemplo vivo da relevância da experiência no scouting de alto nível na formação de um diretor desportivo competente. Foi Ben Manga quem levou a Helena Costa para a Alemanha, para trabalhar com ele e com grande sucesso no scouting do Eintracht Frankfurt, e com quem mais tarde rumou a Inglaterra para uma experiência como Chief Scout do Watford.

Tenho com Ben Manga várias histórias mas permitam-me aqui puxar para mim um apadrinhamento involuntário desta relação. Tanto o Ben como eu próprio começamos as nossas carreiras no scouting no mesmo clube e por volta da mesma altura. Sendo eu, à época, apenas um scout regional do Alemannia Aachen, e numa altura em que não usávamos Skype ou vídeo chamadas para comunicarmos, só conheci efetivamente o Ben na sua primeira viagem de scouting a Portugal, creio que, não consigo precisar, para dar uma segunda opinião, ao nosso Diretor Desportivo de então Jorg Schmadkte, sobre alguns atletas que eu havia identificado nas nossas Ligas.

Não tenho dúvidas que nessa altura, devo estar a falar de 2005/2006, e apesar de ainda não existirem nem equipas B, nem Liga 3, nem Liga Revelação, a qualidade dos média dos planteis era mais elevada e a relação preço qualidade do nosso mercado muito mais atraente do que é hoje. 

O Ben adorou o nosso futebol. Sempre discretamente astucioso, percebeu o potencial deste mercado, conheceu vários colegas por cá, entre os quais a Helena, com quem estabeleceu fortes relações profissionais e até de amizade, e o resto é história, ambos acabaram por ter um importante papel na política desportiva do Eintracht Frankfurt, contribuindo decisivamente para a ascensão do clube tanto na Bundesliga como na Europa. 

Falando por experiência própria, como alguém que trabalha no scouting internacional desde esse tempo, posso afirmar categoricamente que não há país no mundo onde o scouting seja levado tão a sério e tenha padrões de exigência tão elevados como na Alemanha. A atenção meticulosa aos detalhes, a análise profunda não apenas das capacidades técnicas, mas também dos aspectos mentais e de personalidade dos jogadores, e a abordagem sistemática e científica do processo de observação são características marcantes do modelo alemão.

Esta experiência de observação intensiva e criteriosa é fundamental para quem aspira a ser um diretor desportivo de sucesso. O scouting internacional não se resume apenas a assistir jogos e a avaliar estatísticas. Trata-se de compreender culturas diferentes, adaptar-se a diversos estilos de jogo, e ter a capacidade para identificar fatores críticos de sucesso para a adaptação do jogador a um novo ambiente desportivo, social e cultural.

A nomeação de Helena Costa, com sua experiência no scouting internacional, é o testemunho da importância deste background. Um diretor desportivo moderno precisa de ter essa visão global, essa capacidade de avaliar talentos em diferentes contextos e prever o seu potencial de adaptação e de crescimento. Isto sem descurar, é claro, o extenso network à escala global entretanto adquirido. 

Numa frase, um diretor desportivo de um clube profissional de futebol tem de ter mundo!

No futebol atual, onde as margens entre sucesso e fracasso são cada vez mais estreitas, esta experiência faz toda a diferença. A habilidade de para além de identificar os melhores talentos, ser capaz de compreender novas tendências táticas e de selecionar os mercados emergentes, e assim, antecipar as necessidades futuras de um clube, são competências cruciais para um Diretor Desportivo, e que só podem vir de anos de experiência no campo do scouting internacional.

O Estoril Praia SAD entrou numa nova era sob a direção de Helena Costa, e estou certo que veremos os frutos da sua experiência refletidos nas decisões estratégicas do clube. 

A sua nomeação não é apenas um passo em frente para a igualdade de género no futebol, mas também um reconhecimento da importância vital do scouting internacional na gestão desportiva moderna.

Sendo certo que não será a Helena a marcar golos, a verdade é que desde que assumiu o cargo, o Estoril-Praia só sabe vencer!

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