Este fim de semana, três dérbis entre os principais competidores ao títulos dos respectivos 3 países demonstraram essa verdade do futebol com uma clareza matemática.
No Barcelona-Real Madrid (4-3), o número de remates foi revelador: 15 para os catalães, 9 para os merengues, com 7 e 4 respetivamente enquadrados. Resultado? Uma chuva de golos no Camp Nou, consequência direta de uma elevada eficácia ofensiva, fruto da qualidade dos finalizadores, e da proposta tática preconizada pelo Barcelona.
Já em Inglaterra, no Liverpool-Arsenal (2-2), o equilíbrio foi absoluto: 9 remates para cada lado, 4 à baliza pelos reds, 3 pelos gunners. Resultado? Empate, mas com emoção até ao fim. Bastaram 7 remates certos para se fazerem 4 golos. Estatística clara: quando se acerta na baliza, o jogo ganha outra vida.
Curiosamente — ou talvez não — quem mais acertou na baliza, mais vezes festejou. A baliza esteve lá, como sempre. Imóvel. À espera de quem tivesse a coragem de a desafiar... com assertividade e qualidade.
Ora, se esta lógica aplica-se na La Liga e na Premier League porque é que em Portugal o futebol teima em querer parecer diferente?!
Tanta gente a reclamar por outro placard no "Dérbi Eterno" do passado sábado, mas a crua realidade foi esta:
O Sporting marcou primeiro e obrigou Trubin a defender 3 remates do campeão nacional.
O Benfica, a jogar em casa respondeu empatando, tendo mais bola e iniciativa no restante jog. No entanto, quando o árbitro apitou para o final da partida, Rui Silva (guarda-redes do Sporting) contabilizava 0 defesas! Repito, ZERO defesas a remates do Benfica.
Quer isto dizer que, tirando o golo e uma bola no primeiro poste, não houve mais nenhum remate encarnado que tivesse alcançado a linha de fundo enquadrado com a baliza!
Quantos desdobramentos de ataque foram desperdiçados para evitar problemas defensivos? Quantas decisões de finalização foram adiadas, numa preparação do momento certo — que nunca chegou? Quantas oportunidades desperdiçadas por medo de falhar, por falta de coragem para mirar o alvo e assumir o risco? Quanta falta de qualidade e/ou de compostura e classe para evitar os bloqueios oportunos da defesa adversário?
E no final foi o árbitro quem não marcou isto ou aquilo?! Mas queriam o quê!? Que o Bruno Lage tirasse o Pavlidis ao intervalo e metesse o João Pinheiro para a 2ª parte?!
Lembrem-se disto: não é quem mais finta, mais passa, ou até quem mais remata, que vence. Quem vence é quem acerta mais vezes na baliza! E o Benfica acertou muito pouco, na verdade, quase nada.
