Nuno Félix

Nuno Félix Scout internacional

Pinto da Costa será o Béla Guttmann do FC Porto

Martin Anselmi, a propósito do falecimento do Presidente Honorário do Futebol Clube do Porto, proferiu sobre Jorge Nuno Pinto da Costa aquela que foi para mim a declaração mais clarividente do que este significou para o clube azul e branco. Nos comentários após vitória sobre o Farense disse: "- O lema deste clube é "a vencer desde 1893", mas desde 1982 há um vencer que nos exige mais".

Sem conhecer a história do futebol português como quem a viveu e muito menos como quem dela fez parte, Anselmi não sabe sequer deve saber quem foi o treinador húngaro que deu duas taças dos campeões europeus ao maior rival do seu Porto, mesmo assim arrisco dizer que certamente diria que Jorge Nuno Pinto da Costa tem para o Futebol Clube do Porto uma importância incomensuravelmente maior à influência de Béla Guttmann na história do Sport Lisboa e Benfica.

O treinador húngaro, com a grande ajuda de uma verdadeira super equipa, quando o futebol era outro e os jogadores "pertenciam" aos clubes, tornou um grande clube nacional, num grande clube europeu, marcando um antes e um depois na hierarquização dos clubes nacionais junto das massas. Saiu a mal com o clube encarnado e profetizou que sem ele o Benfica não voltaria a ganhar nova competição continental.

Jorge Nuno Pinto da Costa, durante mais de 40 anos e atravessando 5 décadas, com dezenas de treinadores e milhares de atletas, foi capaz de tornar um clube de forte implantação regional, mas que pouco ou nada riscava para além das fronteiras da "Invicta", no verdadeiro porta estandarte do futebol português no mundo!

Após década de oitenta o FCP  suplantou, e por larga margem, a reputação europeia que o Sport Lisboa e Benfica granjeou na década de sessenta,  e que antes deste o Sporting Clube de Portugal havia começado a amealhar na década de cinquenta com a famosa equipa dos 5 violinos.

O Futebol Clube do Porto de hoje é, no entanto, já uma nova geração de um legado histórico grandioso mas falido. Um clube muito maior na sua sala de troféus do que a sua massa associativa e mole de adeptos, ou até do que a própria cidade que lhe deu o nome. 

Heranças como estas não acontecem por um acaso, Jorge Nuno Pinto da Costa foi a única razão distintiva para um clube da dimensão do Porto atingir tamanha glória, estar tão alto e durante tanto tempo.

Acabou pois, por ser particularmente penoso assistir a este o crepúsculo da relação entre o homem e o "seu" Porto, que ele tornou incontornável e universal.

E se é certo que Pinto da Costa jamais amaldiçoaria o futuro do FCP, aquele que foi nas suas palavras em vida "o seu maior amor", certo é que a maldição está rogada!

Como disse Anselmi: "desde 1982 há um vencer que nos exige mais". Eu diria antes a ganhar "demais"!

Jorge Nuno não profetizou o que quer que fosse. 

Sem ele o FC Porto mais rapidamente retornará à sua secular condição de 3º grande de Portugal, do que conseguirá corresponder às promessas precipitadas de André Villas Boas.

A exigência de vitórias, sempre e a qualquer preço, é essa a herança de Pinto da Costa. Uma herança que Villas Boas não tem como manter.

Herança demasiado pesada para a estrutura desportiva e financeira que o Presidente dos Presidentes lhe deixou no estado em que deixou.

E se hoje em dia o futebol é diferente, nesta nova realidade, nem o Benfica voltará a ganhar a Champions League, nem o Futebol Clube do Porto voltará à hegemonia do futebol português. 

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