Basta! Já chega da conversa da “atitude”, dos “erros individuais”, e do “estamos a aprender”. Caro Pedro Proença, Presidente recém-eleito da Federação Portuguesa de Futebol, pegue no telemóvel e ligue ao José Mourinho.
“Foi a pior exibição da Seleção nos últimos dois anos!”. Quem o disse foi o próprio Roberto Martínez. Pois bem, atendo ao adversário e ao facto de jogarmos fora nem sei se terá sido a pior, mas sei que foi mais um verdadeiro desastre!
Um insulto à qualidade dos jogadores, uma demonstração gritante de falta de ideias (mesmo que as tente copiar de outros clubes onde jogam jogadores nacionais), e um retrato fiel do desnorte tático que esta equipa tem vivido sob a liderança deste selecionador.
Contra uma Dinamarca aguerrida, mas muito longe de ser uma referência mundial, Portugal foi uma equipa sem alma, sem identidade e, pior ainda, sem selecionador.
Martínez, especialista em discursos feitos de estratégias ocas com resultado pífios, veio dizer que “precisamos de jogos assim para crescer”. Crescer?! Após tanto tempo no cargo, pouco mexendo no núcleo de jogadores escolhidos, esta Seleção ainda precisa de “crescer”?! Com uma geração de luxo, recheada de talento e de experiência, continuamos a ver um futebol sem modelo, sem estratégia e sem qualquer evolução!? Esta equipa sobrevive de rasgos individuais, de talento puro, mas quando é preciso organização, estratégia e liderança… desaparece!
Bruno Fernandes falou da falta de agressividade. Rúben Dias mencionou “valores inegociáveis”. João Neves garantiu que em Alvalade a resposta será outra. Mas a verdade é que o problema é mais profundo. O problema é que esta Seleção de Martínez não tem um modelo, não há fio de jogo, não há plano B, não há uma estrutura que resista a uma equipa aguerrida e bem organizada do outro lado. Basta um adversário mais pressionante e trememos todos, os jogadores em campo, e nós lá em casa e nas bancadas.
E agora? Vamos esperar por mais uma conferência de imprensa cheia de desculpas. Mais um discurso sobre crescimento e oportunidades de aprendizagem? Vamos dar a volta à eliminatória em Alvalade? Ou será que Pedro Proença, recém-eleito presidente da FPF, vai pegar no telemóvel e ligar ao José?
Independentemente do que suceda no domingo, a seleção de Portugal não pode continuar entregue à inspiração do momento ou ao orgulho ferido dos jogadores.
A Seleção precisa de um líder, de carisma, de experiência ao mais alto nível, de um treinador que mais do que “jogar bonito”, saiba o que é ganhar e que transforme esta equipa numa máquina de competir.
Mourinho é essa pessoa! Já recusou a Seleção no passado, mas talvez tenha chegado a hora certa. Se Proença quiser desde já deixar marca com o seu mandato, está a uma chamada de distância.
Portugal não precisa de mais discursos bonitos. Precisa de um treinador que nos devolva identidade e ambição.
