Existe, no futebol, uma crueldade particular reservada para quem que sabe marcar mas não sabe preservar o que que conquistou. O Sporting de Rui Borges é sinónimo deste fenómeno. Quinze vezes, em menos de duas épocas, a equipa verde e branca construiu uma vantagem e não a soube guardar. Quinze vezes!!! O resultado escapou aos leões por entre as garras como areia fina.
Os números têm a frieza dos factos. Com Rui Borges ao leme, cinco colapsos à beira do fim na temporada 2024/25, dez em 2025/26.
Doze empates, duas derrotas, uma eliminação. Em nove ocasiões, tinha um golo de uma vantagem que não chegou. Em três, eram dois e ainda assim também não foram os suficientes...
A questão que fica suspensa no ar, densa como o silêncio de Alvalade após o golo sofrido no último minuto, é sempre a mesma: porquê?!
Falta de profundidade no plantel, que não permite substituições capazes de reforçar o que está construído?
Fragilidade física nos minutos finais, quando o corpo cede onde a mente já cedeu antes?
Ausência de líderes dentro de campo, desses jogadores que, com um gesto ou uma palavra, relembram os companheiros do que está em jogo?
Ou falta, simplesmente, um treinador com a sagacidade táctica de quem sabe quando parar de jogar para começar a gerir?
Rui Borges tem mérito inegável na construção de um bom futebol em posse, de uma equipa que tem vindo a evoluir e que contra um FC Porto "normal" ainda agora estaria na disputa pelo título. Mas no futebol, como na vida, não basta erguer, é preciso saber manter de pé.
