Em Guimarães só se pede uma coisa: estabilidade!
Desde que António Miguel Cardoso assumiu a presidência do Vitória Sport Clube, o banco de suplentes tornou-se numa roleta russa: 10 treinadores — entre efetivos e interinos — este é o número de treinadores que passaram pelo comando técnico do clube em menos de três épocas. Uma média insustentável que transforma qualquer projeto desportivo que ambiciona o sucesso numa quimera.
Ironia das ironias: António Miguel Cardoso tem sido um gestor com resultados financeiros assinaláveis. Vendeu bem, aliviou a folha salarial, atraiu investidores. Mas no futebol, como na vida, nem tudo se resume a uma folha de excel. Sem continuidade técnica, não há identidade. Sem identidade, não há equipa.
O Vitória transformou-se no maior exemplo do "circo de treinadores" em que se tornou a Liga Portugal. A cada tropeção, muda-se o timoneiro. A cada série de maus resultados, vai-se ao botão reset. Os treinadores chegam, mal desfazem as malas, e já sabem que estão de saída.
Esta instabilidade mina qualquer cultura de exigência. Impede a consolidação de ideias. Afasta jogadores de qualidade. E afasta também adeptos que exigem mais do que o soundbite da “estrutura profissional”.
O Vitória tem massa crítica, estádio, adeptos e história para ser muito mais do que tem sido. Maior até do que o seu vizinho SC Braga. Mas para isso precisa de mais do que números positivos na contabilidade. Precisa igualmente da coragem e convicção de saber esperar pelo sucesso.
