Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Luz sob baixa pressão

Perante estes jogos de pré-época, que para pouco contam, mesmo ao nível das convicções dos treinadores relativamente ao onze ideal, não há forma de analisar sem especular. Esta fase do futebol, no exercício jornalístico, aproxima-se muito do ramo político, na liberdade da criação de cenários a partir de factos, ou de meros sussurros.

Permita-me, então o caro leitor, que centre hoje este texto na personalidade dos três treinadores que discutirão o título. E nas conjunturas que os envolvem.

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Sérgio Conceição inicia a época com o seu líder espiritual numa cama de hospital e um plantel feito manta de retalhos, cerzida após largos rasgões das feras que têm vivido de comissões. Não há dinheiro para grandes contratações. Parte do orçamento salarial ficou logo cativado pela manutenção de Casillas. Neste contexto, só um jovem treinador guerreiro aceitaria o desafio. Ou um velho treinador comissioneiro. Para sorte dos adeptos do Dragão, caiu a escolha em Sérgio Conceição. Que poderá unir as pontas da ambição dos que ficaram e não ganharam ainda nada, e dos que chegam e se querem afirmar após empréstimos de mérito discutível.

Para as primeiras jornadas, Conceição pode contar com a tolerância da bancada, nas exibições menos conseguidas. O que ninguém tolerará são os seus excessos de linguagem gestual e verbal, por tudo e por nada.

Jorge Jesus não terá a tolerância inicial que aqui se antecipa para Conceição. Esta é a terceira época de Jesus no Sporting. Os adeptos vão exigir que se passe das promessas à prática. Nem Jesus tem como atenuante a manta de retalhos que foi entregue a Conceição, nem Bruno de Carvalho alguma vez ganhou algo que lhe permita o crédito dado pelos adeptos do Porto a Pinto da Costa, principalmente quando vive uma situação tão difícil.

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O Sporting terá de entrar nas primeiras jornadas a vencer e a convencer. Pelo menos a vencer. Como já neste espaço ficou escrito, se Jesus não recuar na sua ideia de montar a equipa a partir da sincronização de um esquema de três centrais, essa será a grande inovação dos três grandes. E tem tudo para dar bons frutos. Mas as ideias só são boas se tiverem resultados positivos. O início do Sporting será o mais pressionado pela urgência de sucesso. Jesus, sob pressão, e sem grande protecção, terá forte probabilidade de decidir mal.

No Benfica, após duas épocas ganhadoras, Rui Vitória já alcançou o direito a margem de erro e tem a mais sólida cobertura dos três técnicos em análise. Vieira é um presidente muito frio nas decisões – basta recordar a época em que Jesus ajoelhou no Dragão e o apoio que o presidente lhe deu, contra tudo e contra todos. Vieira sabe os milhões que Vitória lhe entrega. Manterá a confiança no técnico mesmo que os primeiros meses de resultados não sorriam.

Mais do que qualquer outro factor, é esta pressão mais baixa, esta ausência de urgência, que faz do Benfica o grande favorito na luta por este novo título.

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Por Octávio Ribeiro
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