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Num jogo intenso mas muito mal jogado, o Sporting passa à final da Taça da Liga no sempre emocionante duelo dos penáltis. Ninguém conseguiu unir as pontas de cada equipa. O futebol saiu aos repelões, com a bola muito maltratada nos pés de artistas desinspirados. Nessa área, só Rúben Ribeiro manteve uma boa relação com o esférico. Nem Brahimi nem Bruno Fernandes, nem qualquer outro dos virtuosos, logrou acompanhar a inspiração do ex-Rio Ave.
Rúben Ribeiro foi o melhor jogador em campo. Tem personalidade, talento, visão de jogo. Aos 30 anos, prova, com esta aposta de Jorge Jesus, que já deveria andar pelos grandes palcos há muitas épocas. Ver um jogador, com características raras, cumprir o sonho de jogar num grande, não deve deixar indiferente quem gosta profundamente de futebol. Se continuar a trabalhar com vigor, humildade e foco, o conto de fadas de Rúben Ribeiro pode ser ainda mais extraordinário e levá-lo até à Seleção. O seu futebol descarado e desconcertante dá muito jeito contra as mais poderosas equipas.
Quando chamou Rui Patrício, antes dos penáltis, Jesus disse ao seu guardião que ele iria defender. Deu como exemplo um dos portistas que, segundo ele, iria bater – Herrera. Não estava enganado o técnico dos leões; e Patrício parou com muita classe o remate de… Herrera. No duelo das bolas paradas no controlo dos nervos, o Sporting ganhou. Foi mais competente.
O jogo da final promete. É um reencontro entre duas equipas que protagonizaram há poucos dias um emotivo encontro no Bonfim. O Sporting perdeu aí dois pontos no campeonato, não será a conquista da Taça da Liga que apagará essa memória. Mas um título é um título, mesmo quando estamos a falar da terceira prova na hierarquia nacional. O Sporting será o grande favorito à vitória, sem dúvida.
Porém, o muito sábio José Couceiro terá dois dias para montar a sua equipa de forma a contrariar o poderio adversário. Couceiro tem algumas armas muito interessantes que, à semelhança do que ficou dito sobre Rúben Ribeiro, devem pugnar pelo lugar que lhes cabe ao sol dos maiores estádios. Desde logo, Gonçalo Paciência. O que falta a este jovem para se firmar numa equipa de topo? Talvez maior constância nas respostas na área. Desaparece em largas fases do jogo. Discute demasiadas faltas mesquinhas. Mas tem tanto talento e poder físico, que deve procurar a sorte em falta nas últimas épocas. É em jogos como os do próximo sábado que Gonçalo Paciência pode dar a volta ao destino. Gritar, eu estou aqui! Ou será que fica satisfeito por ser a estrela em clubes médios, como o atual Setúbal?