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O último grande duelo entre dois dos maiores jogadores da história do futebol ficou desde já marcado para a Rússia. No momento de carimbar o passaporte, Messi brilhou mais do que Ronaldo. Mas é nesse intenso brilho, a que Messi teve de recorrer para apurar a Argentina, que Ronaldo deve encontrar a principal razão para encarar este embate na Rússia como favorito. Não favorito ao título mundial, que Portugal não será, mas a Argentina ainda menos. Para esse estatuto teremos o Brasil, a Alemanha e até a Espanha. Ronaldo será favorito, sim, a maior brilho e melhores resultados, na sua eterna batalha com Messi.
Vistos todos os jogos de apuramento da Argentina, Ronaldo deve ser considerado favorito na comparação com Messi? Sim. O facto é que Ronaldo se integra numa equipa, que joga como equipa, e Messi está rodeado de vários jogadores que querem jogar à Messi.
Com a maturidade, que coincidiu com a liderança de Fernando Santos, Ronaldo deixou de ser o individualista, ‘jogador de ténis’ (como várias vezes lhe chamámos nas colunas deste grande diário desportivo), passou a encarar o futebol, na Seleção, com uma dinâmica coletiva, onde se integra e de onde salta para brilhar na medida necessária.
Ronaldo não precisa de andar com a equipa às costas, apesar da equipa ganhar outro brilho e capacidade quando Ronaldo está. Já Messi necessita de levar a Argentina às costas, em lances individuais, onde tem de se sobrepor a outros solistas que se julgam igualmente sobredotados. Digamos que esta Argentina de Messi equivale-se ao Portugal pré-Fernando Santos, onde Quaresma, Nani e outros, exageravam nos dribles como forma de rivalizar com Ronaldo. E Ronaldo, claro, respondia com moedas de valor superior, mas tudo se perdia em energia esbanjada.
É ainda muito cedo para sabermos como chegarão estes dois semideuses aos relvados do Mundial. Até lá, qualquer deles, Ronaldo e Messi, terão muitas centenas de quilómetros para somar nas pernas, muitas pancadas a absorver. Certamente muitos golos a marcar. Muitos riscos de lesão a superar.
Mas, se os dados recentes se mantiverem válidos, a humildade coletiva, que levou Portugal ao título europeu, permitirá a Ronaldo um brilho natural e contínuo, impossível de igualar por Messi, numa Argentina anárquica, pouco hierarquizada. Portugal pode aparecer numa segunda linha de candidatos ao título mundial. A Argentina que se tem visto, mesmo com Messi capaz das mais belas obras de arte, não parece capaz de grandes voos.
Tudo, porém, poderá mudar, se a Argentina prescindir de alguns artistas inflacionados e os trocar por atletas operários e conscientes das suas limitações, como é o caso do sportinguista Acuña. Um caso excecional de técnica dinâmica na corte de Messi. E aí, o craque argentino dará muito mais trabalho ao nosso Ronaldo.
Por Octávio Ribeiro