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Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Vitória da Liberdade

O Benfica parece à deriva no plano estratégico. Esperemos, para bem dos vários milhões de adeptos, que a próxima época esteja a ser melhor planeada do que foram as ações desastrosas com que algumas figuras do clube visam tapar o seu sol com uma peneira. Agora o administrador profissional, Domingos Soares Oliveira, tentou fazer aos órgãos de informação da Cofina (neste caso, Record, Correio da Manhã e Sábado) o que Sócrates logrou durante mais de cem dias, com a decisão cúmplice de uma magistrada cujo nome não merece ser retido – sujeitar o jornalismo à censura temática continuada.

Desta vez, a providência cautelar com que Soares Oliveira queria amordaçar os jornalistas foi decidida contra os ímpetos censórios destes personagens por uma juíza, que manifestou as cautelas óbvias perante o risco de atentado contra a Liberdade de Imprensa e o Direito à Informação, que a nossa Constituição, muito bem, consagra. Esta magistrada, Maria Filomena Alves, a quem aqui deixo a devida vénia, achou que havia o dever de ouvir a parte que iria ser lesada por uma eventual decisão censória. Perante a passagem a uma fase processual em que se teria de submeter ao contraditório e aos argumentos da outra parte, Soares Oliveira recuou e decidiu retirar a providência cautelar. Prevaleceu o bom senso e o respeito pelos valores fundacionais da Civilização a que pertencemos. Do banco técnico às decisões de teor contencioso, o Benfica precisa de recuperar a frieza de raciocínio. Valor que Vieira sempre se ufanou de cultivar. 

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O estádio já descria da hipótese de celebrar o título. Os planos da realização televisiva davam caras cada vez mais fechadas, no banco, na tribuna, nas bancadas da claque da casa. Do outro lado, uma equipa poderosa, a mais rica do país, com um treinador de topo, que se mostrava hiperativo, com enorme profissionalismo, para estragar a festa ao rival da capital. Em campo desde os 79 minutos (o mesmo minuto em que entrou na final do Europeu), Éder, no seu jeito desengonçado, fazia-se a todas as bolas possíveis, na busca de ser feliz. E foi, mais uma vez. Agora, aos 87 minutos desata o zero-zero, com um bom golo, num só toque com o pé esquerdo, a responder ao cruzamento rasteiro da direita. Golo de Éder, o Lokomotiv volta a ser campeão, 14 anos depois.

Éder tem uma história pessoal e profissional exemplar, de menino carenciado de afetos familiares, em Coimbra, a esforçado ponta-de-lança por esse Mundo fora. Fernando Santos saberá o que fazer. Mas esta boa onda, esta persistência de quem sempre tem de se bater para disfarçar a imagem de patinho feio, esta bênção de providência divina não deveriam ser desprezáveis pelas cores portuguesas. Éder tem vocação para golos decisivos. E não há duas sem três.

Por Octávio Ribeiro
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