De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Cumpra-se a lei

A fraqueza do nosso dispendioso Estado, quando se trata de atacar os tumores do futebol, fica evidente ao ouvirmos as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Ferro Rodrigues sobre a violência que grassou no Sporting. As três principais figuras da nossa Democracia perdem-se em declarações toldadas pela emoção, quando uma simples frase contém a necessária solução: cumpra-se a Lei!

António Costa quer até criar mais uma instituição. Um grupo de trabalho. Uma alta autoridade, imagine-se. Mais uma alta autoridade. Uma alta oportunidade para empregar um punhado de boys com a missão de apresentar propostas novas sobre problemas velhos. Nada contra o combate ao desemprego qualificado. Mas, antes de tudo, o primeiro-ministro que faça o Governo cumprir as leis em vigor! As polícias que sejam polícias. Os magistrados, magistrados. As medidas de coação, penas de prisão.

Desde o início do século, Portugal tem normas suficientes e adequadas para atacar o problema da violência no futebol, ou noutros desportos. Também não será por falta de previsão legal que um dirigente instigador do ódio ou da agressividade ficará por punir. Que o Estado se empenhe em fazer cumprir as leis que dele emanam. Se for necessário agravar o quadro penal, agrave-se. É necessária alguma instituição nova para isso?

Que o Estado tenha finalmente vergonha de deixar crescer, escoradas por centenas de polícias, áreas que renegam as mais básicas regras sociais.

O problema, nestes textos já várias vezes apontado, é que sempre se tem olhado para o futebol como o circo necessário para disfarçar a carência de pão. O Estado olha para as hordas que medram em torno dos principais clubes com a complacência de um culpado. Será agora que o País ataca a sério este problema grave de criminalidade, que impede o futebol de evoluir para um espetáculo são e familiar? Será agora que o ambiente das bancadas se tornará compatível com a qualidade dos estádios que construímos para o Euro 2004? Infelizmente, não acredito. Mas seria uma grande felicidade estar enganado.

Para finalizar, olhemos para a cúpula do atual Sporting. Se alguém julga possível ver Bruno de Carvalho e seus sequazes entregarem o poder como gente civilizada, desengane-se. Veremos o que ainda há para sair da cartola deste, autodenominado, afamado maluco.

Bruno de Carvalho não tem um futuro risonho se os sportinguistas o fizerem sair da liderança do clube. E muito haverá para saber, sobre verbas, métodos e comissões, destes últimos anos de um Bruno alucinado, cada vez mais ditador.

Aos sportinguistas de bem vai ser exigida firmeza e coragem para reerguerem a imagem deste enorme e singular clube. Na defesa da sua posição, Bruno de Carvalho está a tornar-se perigoso. Cada vez mais perigoso.

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