De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

David contra Golias

Afinal era mesmo verdade o que alguns jogadores do Sporting fizeram saber: se Bruno de Carvalho saísse, eles regressariam. A atitude de Bruno Fernandes não pode medir-se à luz do mercantilismo feroz que domina o futebol profissional. Alguém duvida que este excelente médio tem mercado e encontraria um clube que lhe desse um chorudo prémio de assinatura, caso prosseguisse com o processo de rescisão? Os jogadores têm carreiras curtas. Precisam de amealhar o máximo, até aos trinta e poucos anos de vida. Mas, para renderem em campo, têm de ser acarinhados pelos adeptos. São as palmas e os cânticos que constroem a confiança de cada membro da equipa. Que os adeptos do Sporting saibam elevar o carinho necessário às vitórias.

Ronaldo é excecional em quase tudo. Mas não foge à regra do carinho como elemento básico para a superação em campo. A saída de Madrid é um caso de desamor vindo do topo. Podem escrever todos os encómios, mas os líderes do Madrid queriam Ronaldo fora do caminho, por ser bem maior do que eles, na veneração dos adeptos. Foi para Turim o nosso craque. Excelente escolha! Chega a mais uma liga de topo, onde os veteranos são cuidados ao detalhe para poderem prolongar as carreiras com eficácia. A cereja no topo do mito seria a conquista da Liga dos Campeões.

A forma como são tratados os veteranos históricos é uma medida essencial para apurar a grandeza dos emblemas. A renovação de contratos, a sul e a norte, a Luisão, Casillas e Maxi, mostra a todos os outros atletas que pode valer a pena ser empenhado e fiel aos fundamentos da profissão. No caso de Luisão, esta última época talvez já não devesse ser de titularidade. O Benfica precisa de jogar com a defesa subida. Luisão está cada vez mais longe de ser rápido.

A vitória da Croácia sobre a Inglaterra é mais uma maravilhosa manifestação do sortilégio do futebol. Uma pequena nação, com menos de metade da população de Portugal, bate a poderosa Inglaterra. Até por razões de afinidade religiosa – a Croácia tem uma larga maioria de católicos –, muitos portugueses terão dado por si a puxar por Modric e companhia. Agora, o pequeno David encontra outro enorme Golias. A França é favorita mas, quando todo o coletivo sonha, a realidade pode fazer tombar os maiores gigantes, como Portugal mostrou, há dois anos, em Paris.

Bruno de Carvalho apresentou a sua candidatura. Com a desfaçatez que caracteriza muitos quadros clínicos, ele que não foi campeão nacional, como prometeu, promete agora um título europeu. O drama coletivo deste Bruno já não é existir e persistir no erro. O drama é este país com muitos Brunos, na política, nos clubes, nas empresas. Gente que atinge poder e não sabe o que fazer dele. Gente que desperdiça riqueza e espalha mau génio e terror sobre quem está abaixo.

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