Mulheres no futebol masculino

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O dia de ontem fica para a história do futebol graças a uma francesa, Stéphanie Frappart, que se tornou a primeira mulher a arbitrar um jogo da competição europeia de topo a nível de clubes. Em campo estavam Ronaldo e o seu séquito e a jovem equipa do Dínamo de Kiev. A Juventus venceu por 3-0, a árbitra só cometeu um erro suave, ao avaliar como pontapé de baliza o que deveria ser um canto contra a Juve. Frappart tem feito história passo a passo. Já arbitrara outro jogo de alta intensidade, entre Chelsea a Liverpool, na Supertaça Europeia de 2019. Também com nota alta.

Ontem, Frappart foi sóbria. Discreta, a apitar o mínimo possível, a árbitra arrancou uma óptima exibição num jogo que se tornou simples. Avisou jogadores que ficaram próximo do amarelo, que mostrou três vezes com todo o acerto.

Curioso era observar como se comportam os jogadores quando a juíza decide contra os seus interesses. Os protestos foram mais tímidos do que é costume. É certo que o vazio das bancadas ajuda os craques a manterem alguma racionalidade.

Frappart está a abrir portas para que outras possam chegar ao seu nível. Esperemos que, dentro de um par de anos, um texto destes seja já desajustado, por haver muitas árbitras a pisar os melhores relvados. Mas, mesmo nessa altura, todas deverão lembrar-se da primeira, Frappart, a francesa que nasceu para arbitrar jogos entre os maiores craques.

Em 2020, há mais mulheres no jornalismo do que homens. Como há já mais juízas do que juízes. Num mundo onde as questões de género se devem cada vez mais esbater - não por as senhoras estarem a perder a sua elegante feminilidade, mas porque as diferenças enriquecem qualquer função ou profissão – é estranho o coro de ataque a Jesus por ter respondido de forma veemente a uma repórter. O que pretende a matilha digital, que se junta em uivos onde cheira sangue?

Jesus foi agressivo? Foi. Mas alguém acha que responderia de forma diferente se a pergunta tivesse sido feita por um homem? O técnico do Benfica foi igual a si mesmo. Reagiu sobre brasas, ainda com a adrenalina do jogo. A jovem repórter está de parabéns, fez o seu trabalho. Tem mostrado muita competência no acompanhamento de jogos junto à relva. Não se vislumbra razão para Jesus pedir desculpas. Foi duro, como lhe está no sangue, mas não ultrapassou qualquer limite grave.

Frappart merece admiração pois arbitra tão bem ou melhor do que qualquer homem. Rita Latas, a jovem repórter, merece admiração, pois vê futebol melhor do que a maioria dos homens. Ambas merecem muito respeito e admiração, não menor exigência ou comiseração.  

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