A barriga de Maradona
Na era da democratização do acesso à televisão, que começa nos finais da década de sessenta do século passado, o melhor golo de sempre deu-se no Mundial de 1986 e teve a assinatura de Maradona. Nesta obra de arte, Maradona, com uma finta de corpo, ainda no seu meio campo, tira dois ingleses da jogada e arranca num longo sprint de 50 metros, com os dribles necessários até passar o guardião, Peter Shilton, e fazer o seu segundo golo no jogo, o primeiro inteiramente legal, já que no anterior teve a batota que ficou eternizada como a ‘Mão de Deus’. A Argentina passava assim os ingleses nos quartos-de-final, a caminho do título mundial. Dessa fase de ouro da carreira do enorme artista argentino, muitos irão falar nestes dias de despedida. Outros optarão por coçar a ferida da sua longa decadência, até esta morte que, sendo prematura, tardou vinte anos ou mais, face à incapacidade de Maradona se adaptar à vida fora das quatro linhas. Foi muito duro para tantos milhões de fãs testemunhar a degradação física e mental deste semideus. Maradona tinha-se destinado a morrer cedo. Poeta dos relvados, será eterno. Pena termos os últimos longos anos para apagar da memória.
