A decadência nacional

Adicione como fonte preferencial no Google

Alguém resolva este paradoxo - o país campeão da Europa, com excesso de paixão coletiva pelo futebol, berço do melhor jogador do Mundo e de inúmeros craques internacionais por cada geração, vencedor recorrente de campeonatos continentais e globais nas camadas de formação, não pára de descer no ranking da UEFA, ao ponto de ver o seu segundo classificado interno ter de discutir com turcos e gregos o acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões. O que se passa?

Se juntarmos aos factos já aduzidos acima um último, e não menos relevante, que é o fenómeno de, desde há 30 anos, vermos sempre nascido nesta estranha nação o empresário de maior sucesso mundial - primeiro Manuel Barbosa, depois José Veiga, agora Jorge Mendes -, o enigma paradoxal adensa-se.

Portanto, temos os melhores jogadores, mesmo sem saber explorar devidamente o filão africano; os melhores treinadores; seleções de topo; os melhores empresários. Mas a nossa liga interna não pára de cair no ranking europeu, por via dos maus resultados dos nossos clubes, quando confrontados com os seus rivais continentais.

Por cada ano que os nossos resultados europeus decrescem, muitas dezenas de milhões de euros deixam de entrar nos nossos clubes. E, por via disso, uma ou duas joias da coroa têm de seguir para exportação em cada época. Ou seja, os únicos beneficiados por este estado de coisas só podem ser os empresários que exportam jogadores e os que deles sorvem milionárias comissões mais ou menos transparentes.

Do alto da sua satisfação por um lugar de destaque nas tribunas, e de uns salários generosos, continuam basbaques os líderes supraclubísticos nacionais. Aqui, focamos em especial os dirigentes da Liga. Se a FPF tem a sua razão de ser nas seleções, para as quais podem ser convocados jogadores de nacionalidade portuguesa, mesmo que estejam a jogar na China; já os dirigentes da Liga existem em razão dos clubes que praticam futebol profissional e da sua força.

A qualidade decrescente dos que encabeçam a Liga - o atual presidente, Pedro Proença, é uma razoável melhoria perante a linhagem acéfala e amoral exatamente anterior, mas fica muito abaixo do desejável e necessário para inverter a tendência negativa - empurra o futebol interno para baixo.

Quem deveria combater este estado de coisas? FC Porto, Benfica, Sporting, Braga e todos os outros potenciais interessados em lugares de competição internacional. Mas os líderes destes emblemas - gente que só quer o poder pelo poder, enquanto definha; e quem vier atrás que feche a porta - são a primeira explicação para esta Liga cada vez mais pobre e delapidada.

Liga e clubes estão bem uma para os outros, na sua exasperante mediocridade.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade