De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

A inveja trava vitórias

Na sua edição de ontem, o Record teve a coragem de servir bem os seus leitores e noticiar o que estava por baixo dos sorrisos, palavras de circunstância e de um abraço frio: Luisão sai como grande senhor, mas triste por Rui Vitória não lhe ter dado a oportunidade de se despedir dos benfiquistas em competição, com a passagem da braçadeira em pleno jogo. Bem poderia ter sido assim, num qualquer jogo da Taça da Liga, por exemplo. Os meus parabéns e a devida vénia à Direção deste grande Record, que vai mostrando a razão de ser o melhor e maior jornal desportivo em Portugal.

O peso de alguns profissionais na liderança de um grupo de trabalho gera por vezes invejas injustificadas nos que desempenham funções de liderança em áreas acima. No Benfica, as últimas duas épocas de Jesus pareceram gerar algum tipo de incómodo em Vieira. Até ao ponto que permitiu a Jesus sair para o vizinho rival a custo zero. Agora há sinais de idêntico género de desconforto (estou a fugir à palavra ciumeira) entre o líder técnico e alguns jogadores de personalidade forte e peso específico no balneário. Luisão saiu, fica, entre outros, Samaris, que Rui Vitória teima em desvalorizar nas opções técnicas.

Quem sabe do convento é quem está lá dentro, este velho ditado popular também se aplica ao futebol e às dinâmicas de um grupo de trabalho no qual os jogadores se batem por um lugar no onze. Mas a sabedoria de um homem como Rui Vitória deveria aconselhá-lo a tirar melhor partido dos líderes naturais do grupo, transformando energias negativas em positivas, apontando às vitórias necessárias.

Na fase final da sua carreira, com os plantéis já muito abertos a estrangeiros, um velho e saudoso mestre já falecido dizia-me que um balneário era, cada vez mais, uma assembleia da ONU, em que o técnico tinha de identificar alianças, e a força de cada pequeno grupo, para poder criar e gerir dinâmicas de vitória. Este olhar sábio do grande Manuel Oliveira aplica-se cada vez mais ao presente de cada equipa. E voltou-me à memória enquanto seguia com toda a atenção a despedida de Luisão.

Ronaldo saiu do Real Madrid, deixou de ganhar prémios – nem mesmo o indiscutível melhor golo da época, um dos melhores da história do jogo, lhe é reconhecido – e foi facilmente expulso em lance duvidoso na Liga dos Campeões. Será tudo isto fruto da longa mão do Real Madrid? Aguardemos por novos sinais, para podermos fazer um cabal juízo.

A fibra que todos reconhecemos ao grande campeão deverá levá-lo a sublimar as injustiças em exibições categóricas. Aguardemos pelos próximos capítulos da história de uma lenda viva. Boa sorte, Ronaldo!

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