De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

A lentidão do vídeo, no golo e no Bruno

Sessenta anos depois do lançamento da vetusta RTP, o futebol chegou à era do vídeo. Temos o vídeo-árbitro, que ainda falha mais do que a RTP, nas suas primeiras décadas – tipo, pedimos desculpa pela interrupção, a emoção e a justiça seguem dentro de momentos –, e chegou agora, nove meses depois dos factos, o vídeo-lóbi. Graças ao vídeo-lóbi, Bruno de Carvalho tem seis meses de castigo para cumprir. A vítima do seu fumo, bacteriologicamente puro, Carlos Pinho, pode continuar a pagar a artificialidade do Arouca ter futebol profissional, mas fica suspenso de todas as outras funções desportivas, durante vinte meses.

Tanto o vídeo-árbitro, como o vídeo-lóbi funcionam mal. Ambos surgem atrasados face ao momento em que devem operar. No caso do vídeo-árbitro, já assistimos a golos que deviam ser validados e não o foram, e a golos que não tinham qualquer dúvida de legalidade, onde a emoção teve de ser contida, enquanto o personagem da arbitragem de campo fazia um retângulo no ar e, com essa espera, ditava a chegada do sexo tântrico ao futebol.

A bancada quer explodir? O golo é um orgasmo, como dizia o grande Fernando Gomes? Esperem mais um bocado. Desde quando o árbitro não pode anular um golo, por factos de que teve conhecimento superveniente, depois de apitar convicto para o centro? Por que não integra o vídeo-árbitro, na decisão de validação do golo acabado de sair das gargantas, esse papel avalizador, antes desempenhado apenas por qualquer árbitro auxiliar? Os árbitros de campo estão a fazer uma resistência passiva ao vídeo-árbitro, e, de caminho, matam a emoção das bancadas, para não serem contrariados à frente de tanta gente. Volto ao apelo que já fiz nestas páginas: olhemos para os desportos coletivos que já têm este sistema há mais de uma década. Não se pode matar a essência do jogo. A explosão da emoção do golo não pode, como tem sido, regra geral, estrangulada. Se, depois, houver algo a corrigir, que o olho humano não tenha querido ou podido ver, a bola regressa ao local da falta. Simples, como sempre foi. Não podemos trazer para o futebol a angústia do ponta-de-lança depois de colar a bola às redes.

Voltemos ao lóbi-árbitro, mais de nove meses depois dos factos, a justiça desportiva chegou a uma conclusão: culpados. Os dois presidentes dos corredores de Alvalade podem agora recorrer, mas a pena começa já a correr. Era suposto toda a justiça ser célere. Esperar o tempo de gestação de um bebé, para exarar um despacho, mesmo não sendo um aborto jurídico, é tempo de mais. Vídeo-árbitro e lóbi-árbitro precisam de acertar passo com a modernidade e com os interesses do desporto que deveriam servir. Mantenhamos a esperança – hão-de servir.

Nota final: Ver Bruno de Carvalho fora do banco é muito menos grave para os interesses do Sporting do que manter Piccini como defesa-direito.

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