De Olhos na Bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

A manha dos empíricos

Nunca tivemos uma equipa tão competente nos comandos da FPF. E não me recordo de um líder tão seguro e bem preparado como é Fernando Gomes. É na forma como aprende com os erros já próprios e na análise de práticas que herdou do passado, que Fernando Gomes tem encontrado a chave para o sucesso. Sem esta forma de estar, não teríamos sido campeões europeus.

Depois desta introdução, que é também uma declaração de interesses – admiro a competência e o trabalho que Fernando Gomes e a sua equipa têm entregue ao futebol português –, enfrentemos a grande armadilha em que a FPF está a cair com as polémicas em torno das práticas do sistema de vídeo-árbitro. O sistema está longe da transparência e parece cada vez mais à mercê de uma corporação tão mais poderosa e unida, quanto mais fustigada por críticas, sejam justas ou injustas. Os árbitros.

Os juízes do futebol parecem fingir que aceitam o advento do apoio tecnológico, mas depois, cada um à sua maneira, parecem apostados em provar que o sistema não funciona, nem pode funcionar. Alguém duvida de que os árbitros, por mais palavras proferidas em sentido contrário, querem voltar à decisão soberana, solitária, a olho nu sobre todos os lances do jogo? A classe parece apostada em mostrar que o sistema é um passo atrás. Ora um vai ver e rever lance de claro penálti e não o assinala, ora outro não vê nem revê outro lance de penálti. E também não o assinala. Ora, o mesmo árbitro apita a invalidar um lance por fora-de-jogo, quando o levantar da bandeira é um erro grosseiro e a nova regra manda não apitar até ao final da jogada. Ora outro, ainda, não valida um golo claro, nem as imagens vídeo servem para repor a verdade dos factos.

Que castigos há para um vídeo-árbitro que não se bate pela verdaderevelada nas imagens das câmaras disponíveis? Que castigo sofre um árbitro de campo que decide sem a ponderação permitida pelas imagens revistas?

Noutro domínio da questão, que meios está a disponibilizar a FPF para que o trabalho seja de inquestionável qualidade?

Assistir no tempo presente a este estrangulamento público do futuro, levado a cabo por parte de uma classe profissional superprotegida, como a dos árbitros, é doloroso para todos os que querem um futuro melhor para o futebol.

Por estes dias, apesar da sua saúde financeira, a FPF parece estar a ser levada na manha dos empíricos reacionários. Fernando Gomes não está a conseguir impor a bondade da decisão de ter uma das Ligas precursoras na utilização de meios tecnológicos para melhor justiça sobre a relva. É preciso que o líder da FPF encontre a forma certa e enérgica de levar o projeto para a frente. Mesmo que alguns dos que exercem resistência passiva tenham de ficar pelo caminho.

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