A Seleção das claques

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Na ressaca de uma vitória sólida da seleção e na contagem decrescente para um jogo enorme para o campeonato, enchem-se páginas de jornais, horas de televisão, quilómetros digitais, com grupelhos de apoiantes da Seleção que não conseguem deixar o seu clube em casa. De um lado provocações, do outro respostas de igual destom. Neste mundo das claques, não há melhores do que os piores.

Quando se trata de Seleção, pouco importa cantar o hino entre qualquer macaco e outros chefes de grupos organizados em claques clubísticas. Quando a Seleção joga é tempo de unir gargantas, energias, almas. Mesmo com os maiores bandidos. Ou, que raio, não somos todos portugueses? Não vibramos todos com os golos de Ronaldo?

Daí a aceitar que a FPF legalize uma claque de ultras vai uma grande distância. E se o organismo liderado com competência por Fernando Gomes quer promover uma seleção de claques (os mais barulhentos, os mais agressivos, os mais criminógenos) então não poderá nunca deixar de fora dos eleitos os piores do Benfica. Sem os melhores dos piores do Benfica, sem a malta que faz explodir petardos, que pede meças a qualquer macaco nortenho, a seleção não estará completa.

Se é para ganharmos as guerras de bancada, a Seleção terá de contar com todos. Mais uns milhares de bilhetes, umas toneladas de cachecóis, chapéus, camisolas, logo tudo ficará pacificado.

E talvez a Seleção continue a promover os únicos jogos de estádio cheio onde ainda aconselho qualquer português médio a levar toda a família.

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