De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Abutres no ninho da águia

Por mais dinheiro que custem ou ganhem as suas peças, as equipas de futebol não são constituídas por máquinas. Por isso, a estratégia como se absorvem os momentos de crise de forma, ou de confiança, pode ser mais ou menos eficaz no cumprimento da intenção de voltar às vitórias. O Benfica está com um futebol telegrafado, previsível, contrariável.

A maneira como Rui Vitória está a lidar com esta fase má da sua equipa não se afigura a mais adequada. Esbraceja mais do que Sérgio Conceição e inventa mais do que Jesus (este, aliás, esta época, não tem inventado nada). O esbracejar, pressionando a equipa de arbitragem por dá cá aquela palha, seria o menos grave se não fosse sintoma de um mal mais profundo: a falta de opções para lugares-chave e o efeito em cadeia que tal carência tem gerado em más opções de jogo.

Pobre guardião e defesa que tem no meio-campo um equívoco chamado Filipe Augusto, a trinco, e que, por arrasto ou não, vê Pizzi sem as soluções e velocidade de decisão que fizeram dele um destaque na época passada. E, assim, a bola chega mal aos flancos e pior à área contrária.

Mas o jogo de ontem deixou boas indicações sobre várias peças ainda pouco rodadas, apesar de ter acabado num empate, e com Rui Vitória a ser pouco claro nos terrenos a pisar pelos substitutos, que entraram já após o empate do Braga. O caso gritante foi Pizzi, que chegou ao final do jogo sem que se percebesse se entrara como solução no flanco direito, função para que está sem velocidade, ou para o centro, onde chocava com o prometedor Krovinovic. Uma outra nota sobre um jogador em concreto: Gabriel Barbosa bateu às portas da Europa, a jogar no Santos como segundo avançado, com um nove fixo na frente (o veterano Ricardo Oliveira). É no centro, e com mobilidade, que este jogador poderá render alguma coisa.

Efeito, que se vai tornando causa, deste mau momento, é a agitação lançada por alguns abutres que frequentam o ninho da águia. Neste domínio, Rui Gomes da Silva escolheu o pior momento para atacar a estrutura de que saiu por Vieira não lhe querer reconhecer o estatuto de número-dois. Várias das farpas lançadas pelo ex-vice podem até refletir realidades no âmago da vida do Benfica. Mas são realidades persistentes. Se a crítica pretende ser construtiva deve ser feita quando as coisas ainda estão bem. É quando a doença ainda não descambou para uma fase aguda que pode e deve ser atacada com êxito. O perfil de Rui Costa é o mesmo de sempre, a falta de contratações ao nível dos jogadores que saíram é um facto desde o primeiro dia de setembro. Altura em que a sua voz soaria bem no silêncio geral.

Agora, Rui Gomes da Silva teve uma entrada fora de tempo, que desestabilizou ainda mais a equipa. Isso os benfiquistas não costumam perdoar nem esquecer.
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