As perguntas que se impõem
A forma como Sérgio Conceição, sem a devida pergunta, fez o mea culpa relativamente à agressividade com que se referiu a Rui Vitória, é uma enorme crítica à passividade da maioria dos jornalistas. Neste caso, desportivos. Entre o medo e o tédio, os repórteres esticam os microfones e esperam que os protagonistas digam apenas o que querem, sobre o que querem.
Na sua Conferência de Imprensa de ontem, Sérgio Conceição, obviamente, esperava que alguém lhe colocasse uma questão sobre o apodo de ‘boneco’ que lançou a Rui Vitória. Ninguém perguntou. Sérgio foi grande e, por sua iniciativa, pediu desculpas e considerou que foi infeliz no momento em que atacou um colega de profissão. Esteve muito bem. Tanto quanto os impávidos repórteres cavaram ainda mais a cova da sua medrosa inutilidade.
A troca de palavras, recados e jogos mentais, entre os três treinadores dos candidatos ao título são mais um ingrediente saboroso, num campeonato escaldante. Deixemo-nos de respeitinhos pantanosos. Vitória, Jesus e Sérgio, cada um ao seu estilo, são excelentes comunicadores. Deixemos os homens falar! Puxemos por eles!
O jogo Cova da Piedade-Sporting mostrou, mais uma vez o grande e misterioso sortilégio do futebol português. A equipa da Segunda Liga, mostrou bom futebol, organização, capacidade física. Merecia no mínimo o prolongamento. O misterioso sortilégio consiste no facto de um tão pequeno País, onde o dinheiro escasseia, conseguir manter tantas equipas competitivas. Capazes de bater o pé aos maiores de Portugal. Isto com orçamentos diminutos. O do Cova da Piedade, para toda a época e toda a estrutura do futebol profissional, equivale a quatro meses de salário de Fábio Coentrão. Um escalão abaixo do Cova da Piedade, temos o Caldas que está nas meias-finais da Taça de Portugal. Que maravilha!
Voltando ao FC Porto, agora sobre a relva: o jogo do passado domingo, frente ao Guimarães, acabou bem. Foi mais uma manifestação de potência e engenho dos jogadores africanos em que Sérgio Conceição faz assentar o seu poderio ofensivo. Mas o primeiro golo do jogo, que colocou o Guimarães a vencer, foi um sinal de alerta sobre a necessidade de equilíbrios no miolo, quando se tem um génio como Brahimi. Recordemos o lance, há um centro tenso desde a meia-direita, muito bem executado por um jogador sem ponta de pressão. Num raio de 15 metros, não havia qualquer jogador do FC Porto para complicar a execução técnica. Danilo não chega a todos os metros quadrados que Brahimi deixa livres nas costas e Oliver não quer ou não consegue ocupar.
O espanhol não dá garantias defensivas mínimas, que o recomendem para o onze quando Brahimi está operacional.
