Bons selvagens

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Na contagem decrescente para o grande dérbi de sábado, os últimos sinais são contraditórios. O Benfica ganhou; o Sporting empatou. A distância encurtou-se para um ponto. Na noite de sábado defrontam-se dois emblemas liderados por dois presidentes em choque; e duas equipas dirigidas por técnicos que já encheram capas de jornal com paradas e respostas.

Não sou a minha querida amiga Maya, não sei o que dizem astros e cartas. Mas o último jogo mostrou Jorge Jesus a fazer uma substituição que nenhum sportinguista entendeu – se Slimani não se estava a esforçar devia ter saído muito antes; se era útil manter o melhor marcador contra uma equipa a jogar com dez, não devia ter saído a dez minutos do fim de um jogo empatado.

Jesus teve medo de perder, quando Sérgio Conceição lançou dois jogadores velozes depois de ver a expulsão de um dos seus centrais. Essa é a conclusão ditada pelos atos do treinador do Sporting.

Jesus não poupou Slimani, a não ser quando já não era aceitável, ao risco de um amarelo que o excluiria do dérbi. No outro lado, Rui Vitória poupou Renato Sanches e justificou a decisão com um forte slogan: quer que o médio se mantenha ‘selvagem’. Vamos ver se o jovem Renato suporta a carga e aguenta a guerra do meio-campo sem fazer jus ao epíteto. Se Renato Sanches ainda é selvagem, será útil uma aculturação rápida, que lhe permita ocupar os espaços certos, com explosões mas sem expulsões.

Em suma, Rui Vitória ganhou nos pontos e nas palavras, mas um dérbi só está decidido no fim do jogo. E este será escaldante.

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