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De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Com Varandas para o futuro

O Sporting entrou na sua nova era pela porta grande. Um ato eleitoral brilhante. Um novo presidente prometedor. Um candidato vencido irrepreensível.

A lista do novo presidente está recheada de gente com grande qualidade - carreiras sólidas, auras honestas -, que não precisa do Sporting para ganhar um salário alto ou andar num bom carro.

As primeiras semanas da nova liderança precisam de ser acompanhadas com bons resultados sobre a relva. É essencial que os jogadores não sintam o peso da responsabilidade a retirar-lhes a autoconfiança necessária às boas exibições. Por vezes querer mostrar serviço, lealdade, empenho, retira a frieza necessária aos campeões.

Em equipa que ganha não se deve mexer muito. Todas as alterações da rotina dentro de um grupo de trabalho com ambiente saudável têm efeitos negativos no curto prazo. Mesmo quando as mudanças são para melhor. Será portanto com curiosidade acrescida que iremos assistir aos primeiros jogos da era Varandas. Quanto menos ondas de mudança súbita houver, melhor para as possibilidades do Sporting na luta pelas vitórias.

O risco de implosão do clube nas mãos de um pobre fanático de si mesmo fez o Sporting revelar a sua enorme grandeza. Ao toque a rebate acorreu um punhado de grandes sportinguistas, aqui simbolizado nos nomes de Torres Pereira e Sousa Cintra. Gente corajosa, que agora terá importantes histórias para contar. Histórias de coragem e empenho. Momentos em que não cederam perante as ameaças de um bando de mafiosos. Um banda que sabia que, ao perder o poder, perderia a face, pelo que agora se irá descobrir. O Sporting garantiu o futuro.

Que merece ser radioso como sol após raivosa tempestade.

Defendo publicamente a assimilação de jogadores estrangeiros na seleção desde o caso do benfiquista Isaías. É natural e saudável a naturalização de jogadores que tenham chegado a Portugal jovens, sem carreiras construídas. Que falem a nossa língua. Que vão criando um amor crescente ao País, suas gentes e cores. Assim se passou com Deco, assim se passa com Pepe. Esse grande português.

O prezado Leitor não sente um orgulho especial quando vê Pepe a cantar o hino? Intui-se que o grande central vibra em cada sílaba. Pepe chegou com 18 anos. Teve um arranque de carreira brilhante no Marítimo que se consolidou FC Porto. Foi a partir de Portugal que subiu ao topo do Mundo em Madrid e está a fazer um nobre final de carreira na Turquia. Sempre, sempre disponível para a seleção nacional. A Pepe devemos agradecer ter escolhido ser português. E desejar que prolongue a carreira internacional até ao Europeu de 2020. Que venham mais Pepes!

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