De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Defender é preciso

O último ensaio do Benfica antes do jogo de quarenta milhões com os turcos não foi tranquilizador. A equipa troca bem a bola, tem momentos de génio e muitas soluções ofensivas, mas a defender está muito frágil. Pizzi mostra muito melhor dinâmica do que entregou na época passada, sem dúvida! Mas parece indiferente ao esforço defensivo. Como se a ele, que é um médio, não lhe coubesse o dever de recuperar a bola e marcar o adversário mais próximo. Vamos ver como se apresenta o onze de Rui Vitória já na próxima terça-feira. Se a evolução não der um grande salto, temo pelo futuro dos encarnados na liga dos milhões.

No Sporting, José Maria Ricciardi é finalmente o nome forte que faltava a esta disputa eleitoral. Para o futebol, Ricciardi aposta em José Eduardo. É uma excelente escolha! José Eduardo é um homem ponderado, corajoso, grande sportinguista. Sabe muito de futebol e mostrou capacidade empresarial crescente, desde que pendurou as botas. Partilha, também, um segredo muito importante e que nesta coluna já foi sublinhado mais de uma vez: conhece a determinação, o sofrimento, a ambição obstinada, necessários a um grupo que queira ser campeão. Seria muito útil que algumas das candidaturas já anunciadas (para lá do generoso mas apenas folclórico Boal) se concatenassem, com sentido de missão e amor ao clube, até ficarem apenas duas ou três das mais fortes. Assim, também o Sporting ficaria mais saudável e poderoso.

A épica vitória sobre a Itália na final do Europeu de sub-19 remete-nos para a reflexão sobre os quadros competitivos que melhor possam servir o crescimento dos craques que Portugal produz com uma cadência abençoada. Será positivo despejar estes talentos em equipas de sub-23? As equipas B não são suficientes, enquanto alternativa à primeira equipa? Um jogador de topo, com vinte anos precisa de ser desafiado nos terrenos mais difíceis e competitivos. Colocar talentos em redomas etárias não se afigura acertado. É certo que, com mais um quadro competitivo, se criam mais postos de trabalho para treinadores e outro pessoal especializado. Manter jogadores de talento mundial em competições com limites etários até aos 23 anos parece um erro histórico, como se verificará dentro de alguns anos. Os jogadores precisam de ser atirados do ninho. Uns voarão alto, outros não. Os que podem voar mais alto, devem fazê-lo o mais cedo possível. Devem ser confrontados com estádios cheios, com a ratice dos veteranos, a pressão extrema dos resultados. Doutra forma, vão estiolar e perder-se. Para manter duas dezenas de atletas medianos iludidos a competir com proteção etária, vamos dificultar o abrir de asas dos poucos que nasceram para verdadeiras aves de rapina. Um jogador que aos 22 anos ainda não é um craque de topo alguma vez o será? Nunca! Só se for guarda-redes.

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