Diálogo de cegos

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É confrangedor ver as fotos de Pinto da Costa a falar com o novo ‘homem forte’ do FC Porto. Claro que a imagem não é tudo, mas aquele diálogo entre dois invisuais à beira de um campo de futebol é um mau cartão de visita para o futuro do dragão. A imagem diz muito sobre as pessoas e sobre as suas situações. O novo homem lá forte é, mas parece saído dos finais da década de setenta do século passado, com aqueles óculos ainda mais ridículos que os de Pinto da Costa. Os jogadores são jovens exigentes, argutos leitores de aparências, como tal, muito sensíveis à imagem de quem os rodeia. O roupeiro é o roupeiro, o diretor-geral é o diretor-geral – não se devem confundir.

Perante as fotos que saíram em toda a imprensa (curioso: só ‘O Jogo’ não chama esse boneco à capa – talvez por decoro…) ficamos com a sensação de que Pinto da Costa está a bater no fundo. Já se ouvem os cascos dos cavalos dos traidores, impacientes pela hora de atacar.

Irá Antero Henrique perfilar-se como o rosto da oposição a Pinto da Costa? Avançará António Oliveira? E Vítor Baía? Terá apoio bastante de adeptos capitalistas para se tornar o primeiro presidente portista transparentemente profissional? Ou, num último golpe de teatro, conseguirá Pinto da Costa a sucessão dinástica? São imperdíveis as cenas dos próximos capítulos nesta intensa novela de azul e branco.

A Seleção começa o apuramento para o Mundial com uma derrota. Talvez seja melhor assim. Um banho de humildade não fará mal aos nossos campeões e ao nosso técnico. Por exemplo, Éder deve continuar a entrar no jogo vindo do banco. E Quaresma merece mais minutos.

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