De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

É possível, Sporting!

Que jogo bíblico o de ontem em Madrid. É em momentos destes que o futebol se torna parábola de sabedorias milenares, religiosas, filosóficas. Éticas.

Os mais fortes, mais ricos, os favoritos estavam descansados na sua larga vantagem. Chegam os mais fracos, os abaixo de cão, mas orgulhosos combatentes, e tudo se confunde. Quando os mais poderosos dão por isso, as pernas pesam, o cérebro treme, a alma teme. Do outro lado está a chama da vitória, pela humildade ambiciosa com que se encara o desafio mítico. O monstro de onze cabeças. A crença no possível impossível. Pela coragem. União. Superação.

Permita-me o respeitado Leitor uma nota mais pessoal: encontrei-me a puxar pela Juventus até ao momento do penálti. Aí, apesar da injustiça da expulsão de Buffon, tive de escolher o lado de Ronaldo. O nosso semi-Deus. O filho de humildes que já reservou para si uma nuvem mais alta que as de Eusébio, Pelé, Maradona. Até esse momento, senti uma grande equipa a suplantar a maior equipa do Mundo. Senti toda a Juve a querer oferecer ao eterno Buffon mais uma final antes do descanso merecido. E Ronaldo já tinha eternizado a sua superioridade com aquela obra de arte em Turim. E Ronaldo talvez surgisse mais descansado no Mundial e mais ávido de conquistas, se o Real saísse, ontem, humilhado aos pés da Juventus.

Quis o destino e um árbitro hipersensível que assim não se escrevesse a memória. No último momento, a última palavra coube a Ronaldo. E o nosso herói lá mostrou-se presente aos ingratos de Madrid.

O que ontem quase se materializou na casa do Real. O que se passou em Roma, na véspera. Mesmo a eliminação do Manchester, de Guardiola, aos pés do sempre nobre Liverpool, mostra ao adeptos do Sporting, a Jesus e aos seus jogadores, que ainda é possível continuar na Liga Europa. Mas as bancadas de Alvalade que não se iludam – o normal, o estatístico, as apostas colocam o Atlético de Madrid como claro favorito.

Não se dividam os adeptos perante o esforço da equipa. Os jogadores darão tudo para tornar o sonho uma palpável realidade. Não duvidemos disso. Mas, aconteça o que acontecer, no final do jogo, desde que a equipa tenha deixado tudo em campo, cabe aos adeptos apontarem o futuro a este grupo fustigado por uma singular mente demente. O Sporting pode seguir em frente na Taça de Portugal e ainda tem uma palavra a dizer no campeonato. Uma palavra muito mais importante e honesta do que a palavra dada, estouvada, mais uma vez, pelo ainda presidente, quando prometeu o título para esta época. E esse senhor lança agora o caos para encontrar quem culpar pelos seus erros e desvarios.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.