De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Emoção a rodos

Quem segue esta coluna sabe que o autor admira o espírito guerreiro desta equipa do FC Porto, torce para que Sérgio Conceição afirme todo o seu potencial como técnico; e acha natural que um plantel feito de retalhos emprestados, mas sem pressão de comissionistas, e cheio de jogadores valorosos com o orgulho ferido, possa naturalmente chegar ao título.

Porém, ver a triste figura feita pela arbitragem portuguesa, através dos seus representantes, neste jogo frenético do Estoril, é uma lástima para quem gosta de futebol. Para quem deseja que os jogos sejam ganhos com justiça. Quem celebrou a chegada do vídeo-árbitro, como grande passo para a objetivação das decisões da justiça sobre a relva.

Como é possível o vídeo-árbitro não ter dado indicação de fora-de-jogo no primeiro golo do FC Porto? Estava a dormir ou com medo? Não é possível encontrar explicações mais benignas para um técnico experimentado não descortinar o que todos viram: estavam três jogadores do FC Porto em posição irregular. Todos se movimentaram para atacar a bola. O mais próximo do primeiro poste (Soares) tentou cabecear, tendo claríssima intervenção no lance. O juízo vai ao vídeo-árbitro, que manda seguir com a validação do golo. Uma vergonha! O que vai acontecer a este árbitro que não arbitra? Irá deixar de arbitrar?

O árbitro de campo, esse, deixou jogar e jogar para além das marcas do jogo duro. Muitos lances aproximaram-se perigosamente da violência de choque do futebol americano. Sem consequências disciplinares. Esta segunda metade do jogo interrompido há três semanas teve toneladas de emoção concentrada. Uma velocidade estonteante, com excelentes momentos de execução técnica por parte do FC Porto. Está dado mais um passo largo a caminho do título. Torna-se ainda mais decisivo o próximo embate com o Sporting. Sempre com o Benfica à espreita.

Em Alvalade, mora uma equipa valorosa, dirigida por um técnico de grande qualidade e inteligência, suportados pela mais generosa massa adepta dos grandes nacionais.

Os sportinguistas são mais pacientes do que os outros. Mais fatalistas do que os outros. Mais poéticos, até, em regra. A seca de títulos nacionais vai muito longa. Todos merecem essa alegria de vencer a prova rainha. Muitos adolescentes sportinguista nunca viram o Sporting ser campeão. Não têm essa memória vivida na primeira pessoa. Será esta época? O futebol jogado diz ser ainda possível.

Conseguirá Bruno de Carvalho um ponto de equilíbrio que lhe faça chegar a bênção do silêncio pelo menos até ao jogo com o FC Porto? Jogadores e técnicos mereciam outra tranquilidade para atacarem os jogos decisivos da época.

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