Grimaldo, precisa-se

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O Benfica está a digerir a segunda derrota em quatro dias. Vai para os oitavos de final da Liga dos Campeões, é certo. Mas, a poucos dias do grande dérbi, um ciclo de derrotas deve deixar preocupado Rui Vitória. E o que está a faltar e este Benfica, que o leva a obter estes resultados, contrários aos do outro Benfica, mandão e fluído, ainda tão recente?

O Benfica está amputado de flanco esquerdo. Com os dois laterais canhotos lesionados, lá aparece na esquerda o garboso André Almeida. Um jogador que qualquer treinador gosta de ter à disposição, mas a quem, na esquerda, falta o pé certo para tornar o jogo da equipa rico e imprevisível. Longe dos seus terrenos naturais, na direita e principalmente no centro, André Almeida tenta cumprir no plano defensivo. No plano ofensivo é uma nulidade. Não cria desequilíbrios nem obriga a equipa contrária a fazer oscilar para aquela faixa mais de dois jogadores em cada lance.

Nenhuma grande equipa pode prescindir de laterais ofensivos, salvo se tiver à frente de um jogador-tampão, um craque verdadeiramente desequilibrador. O que Cervi não se mostra, nem sequer a espaços.

É extraordinário como as características de uma peça podem ser tão determinantes num jogo onde o técnico conta com onze. O Benfica está uma autêntica enfermaria, com o excesso de lesões a exigir reflexão sobre métodos de treino ou de recuperação física. Neste contexto, Rui Vitória tem feito milagres na substituição de jogadores lesionados.

Mas ninguém, nem mesmo Rui Vitória, pode inventar um pé-esquerdo com potência e segurança a André Almeida. Se o Benfica entrar no dérbi com este lateral-esquerdo, e sem um grande driblador à sua frente, Jesus terá menos problemas defensivos para resolver no seu tabuleiro do jogo estratégico.

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