De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Jovens talentos

Svilar tem pinta de craque. A forma como se posiciona entre os postes, como sai ao avançado, como faz a mancha. Todos os gestos são de craque. Mas deu um frango. Uma má decisão levou-o a entrar pela baliza com a bola nas mãos, quando poderia ter socado de forma simples. Um frango, no único golo do jogo.

Agora vamos ver se a aposta de Rui Vitória será consistente e irá para além do próximo jogo e do proximo erro.. Se, depois de queimar um excelente jovem guarda-redes português, irá fazer o mesmo a um ainda mais jovem guardião belga de origem sérvia.

Os casos não são semelhantes. Svilar tem 18 anos pintados de fresco. Um regresso à penumbra dos treinos/jogos no Seixal não seria razão para danificar a confiança do jovem nas suas imensas capacidades. Qualquer decisão de Rui Vitória será aceitável desde que trabalhada de forma a que o miúdo mantenha intacta a sua autoconfiança, e vá corrigindo eventuais erros, que essa extrema confiança no seu potencial o leva a cometer. Se Svilar se mantiver como titular, os benfiquistas têm de se habituar a andar com o credo na boca, enquanto testemunham o crescimento de um sobredotado. Um jogador aos 18 anos, principalmente guarda-redes, é como um bebé a dar os primeiros passos. Tem de cair em erros graves, voltar a levantar-se e seguir até ao próximo frango.

Também fraca foi a estreia de José Sá, nos maiores palcos europeus. A grande promessa das balizas do FC Porto também tem de crescer a jogar, mas está num patamar mais aproximado de Varela do que de Svilar. Se Sérgio Conceição não lhe começa a dar minutos e confiança, José Sá nunca chegará a dono da baliza do Dragão, sendo hoje o principal candidato ao lugar de Casillas. Um caso a seguir nos próximos tempos.

Em Portugal, a última aposta corajosa num jovem guarda-redes, para titular da baliza de um grande, foi de Paulo Bento em Rui Patrício. Os primeiros jogos foram difíceis, mas os resultados estão à vista.

Saiamos da baliza, mantendo porém o foco nas esperanças que despontam pelas maiores equipas portuguesas (com as derrotas presentes, o melhor mesmo é olhar para o futuro, acreditando na possibilidade de encurtar a distância que nos separa do pelotão da frente): o Benfica estreou na Liga dos Campeões, e a jogar de início, Rúben Dias, que provou qualidade para jogar no topo competitivo. E, também, Diogo Gonçalves, outro potencial grande craque.
Este Diogo gosta de ter a bola, de evoluir com dinâmica, bom drible, bom passe, boa visão de jogo. Outro caso que será necessário acompanhar com carinho, embora o crescimento de alas e avançados requeira menos riscos do que a aposta em jovens guarda-redes.

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