Moutinho tem um sósia?
No eclipse de Ronaldo há uma lua por explicar: João Moutinho. O excelente médio, que chegou a ser dos melhores médios do Mundo, está irreconhecível, com um raio de ação limitado às jogadas mornas, sem hora de ponta.
Até agora, o que se vê de Moutinho parece um Europeu trabalhado para a estatística. Xis passes certos, xis receções de bola conseguidas, xis quilómetros percorridos. Mas o futebol não é um desporto muito dado à estatística. Os passes podem ser certos e apenas atrasarem a equipa, se forem para o lado e para trás, quando ainda não se está a vencer confortavelmente. As receções podem ser conseguidas e até orientadas, mas se forem maioritariamente somadas em zonas sem pressão, espaços que o adversário, intencionalmente, deixa livres, entre os centrais e a subida do lateral, a estatística pode subir, mas a equipa retarda a circulação de bola e os mais avançados ficam entretanto marcados. Os quilómetros somados podem dar uma marca interessante, mas correspondem a quantos sprints e somam-se a correr de onde para onde?
Tudo isto para dizer que Moutinho, quero crer, ainda é um jogador admirável, mas o Moutinho que temos visto parece um sósia. Corre como o outro, toca na bola como o outro, mas não chega à área, não faz passes a rasgar. Não arrisca como o verdadeiro. No eclipse de Ronaldo tem havido muitas razões assacáveis ao próprio – e até azar. Mas Portugal precisa de velocidade e ousadia nos desequilíbrios pelo centro, imagens de marca de João Moutinho, que este Moutinho de França não tem conseguido dar.
