De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

O Dragão cheira a campeão

Quem teve a ideia de ir buscar Sérgio Conceição merece uma estátua no Dragão. E era uma opção de alto risco. Até esta época, Conceição era um técnico instável. Via-se que os seus fundamentos de jogo passavam com facilidade e perenidade para os jogadores, mas, durante o jogo, o técnico perdia amiúde o controlo emocional. Tornava-se um factor de desestabilização para os atletas, nas suas constantes altercações com a equipa de arbitragem. Várias vezes, esse defeito foi apontado aqui, nestas linhas.

Agora, Conceição parece ter adquirido a maturidade que lhe faltava. E manteve todas as virtudes. Refinou-as, até, nesta entrada num grande clube português e mundial. A conjuntura de penúria permitiu-lhe impor as suas ideias. A estrutura parece girar em torno das ideias do técnico, tão ávida quanto ele de grandes sucessos.

No FC Porto, Conceição está a alinhar os astros. Tem tido sorte? Sim. A sorte dá muito trabalho. Exige também coerência, justiça, ideias simples.

O FC Porto vem de dois treinadores traumáticos. Dois arquitectos (perdoem a metáfora todos arquitectos que projectam a pensar nas pessoas e para as servir) portadores de uma ideia de jogo autista, à qual os jogadores tinham de se adaptar, nem que fosse à marretada. Nas lindas folhas de um e de outro, os movimentos dos jogadores faziam todo o sentido. Eram verdadeiras sinfonias. O problema está no movimento. E na chatice de haver sempre uma equipa a querer complicar no lado contrário.

Com Sérgio Conceição, o FC Porto voltou ao básico eficaz. O futebol é simples e o técnico resolve não o complicar. Jogadores dispensados, emprestados, por acordo entre arquitectos e comissionistas da obra, voltaram para provar a sua valia. Sérgio quer a bola a circular rápido entre os seus, com os espaços ocupados de forma harmoniosa. E quer os seus rápidos sobre a bola, quando a bola está na posse dos contrários. É esta coisa simples que o leva, por exemplo, a trocar Marega por André André, quando o primeiro se lesiona e o técnico olha para o deserto de avançados que, ontem, tinha no banco.

Uma substituição conservadora tornou-se atual logo no lance seguinte, com o FC Porto a colocar-se em vantagem sobre uns valiosíssimos alemães.

Depois, o Porto destapou as suas fragilidades. É uma equipa que precisa de dois tanques rápidos na frente. E só tem três no plantel. Sem Soares, perdido Marega, a equipa entra em crise de identidade. Um caso a rever nos treinos, este segundo esquema tático. Mas, mesmo em crise de identidade, o FC Porto mereceu vencer. Até Maxi Pereira, naquele terceiro golo, quis dizer ao grupo que percebe a opção do treinador para baixar os custos fixos com salários, mas que está ali para somar, sempre que seja chamado. Este terceiro golo é a grande prova do bom ambiente do FC Porto. Este Dragão cheira a campeão.

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