De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

O papel do gabinete de crise


O Benfica montou um gabinete de crise para lidar com as sucessivas crises ditadas pela fuga de ‘dez anos de comunicação interna’, que foram parar a mãos rivais. A medida tem no mínimo seis meses de atraso. À luz do direito à informação, muito do que se foi sabendo sobre as estranha e sombria teia montada próximo de Vieira é de publicação obrigatória. Mas a este dever de informar estão sujeitos os jornalistas. Não as estruturas que servem interesses de empresas rivais do Benfica. Aí não estamos no plano do direito à informação, mas sim de outros ramos de direito que não privilegiam a transparência. Vamos ver como termina o terçar de armas jurídicas entre Benfica e FC Porto, mas esta guerra só agora começou e vai ser muito longa. Parece evidente que o FC Porto não poderia usar os seus canais de comunicação para denunciar mails que alguém furtou ao rival da Luz. Uma televisão, um site ou um jornal detidos por um clube veiculam propaganda e só na forma são parecidos com plataformas idênticas onde se faça jornalismo. Os jornalistas não podem fazer publicidade, nem ter interesses empresariais fora da sua área de atividade (pelo menos assim deve ser). Por seu lado os não jornalistas não podem chamar notícias aos conteúdos que tornam públicos.

Feito este longo introito, fixemo-nos no essencial: com gabinete de crise no Benfica, ou sem gabinete de crise, o papel dos jornalistas é noticiar os factos devidamente apurados e que têm interesse público. Muitas vezes, é com base no trabalho de jornalistas que a Justiça se movimenta para apurar criminalmente os indícios que a imprensa traz à tona. Este é um funcionamento regular de instituições essenciais para que de um Estado se possa dizer que é Democrático. Numa comunidade democrática que se preze, criar um gabinete de crise para inviabilizar a publicação de notícias relevantes é como tentar parar um vendaval com as mãos. Não é possível. O gabinete de crise da Luz poderá servir para estudar os melhores caminhos até à condenação definitiva dos métodos usados por rivais. Poderá trabalhar a comunicação de todos as personalidades com peso público que compõem os corpos gerentes do clube e SAD. Aí haverá um relevante trabalho a fazer, desde logo impedindo que um vice-presidente como José Eduardo Moniz venha a público dar um tiro no pé de Vieira, ao dizer que Paulo Gonçalves quis sair do Benfica e Vieira não deixou. Mas só para isso, e não é pouco, poderá servir um gabinete de crise.

Os portugueses continuarão a querer estar bem informados. A Justiça fará o seu caminho. E o jornalismo, que se preze desse título, também seguirá o seu.

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