O Sporting é fado!
O mais fatalista dos emblemas portugueses está a curtos passos do título. O Sporting é fado, amor e ódios, invejas e desuniões. Na maior parte dos tempos. Nas últimas largas décadas, que é o que este vosso humilde escriba pode testemunhar, o Sporting é sempre desunião no amor. Com múltiplos projetos de poder só para servir os projectistas. Arquitetos de riquezas privadas, privados de dimensão federadora. Quando um notável está no poleiro, os outros notáveis querem que caia. Mesmo que isso signifique derrotas para o emblema que juram amar. Depois, lá em baixo, estão os pobres adeptos, e mesmo estes devemos dividi-los em duas grandes classes: os adeptos profissionais, que, com negócios mais ou menos lícitos, lucram com o seu apoio ou desapoio aos líderes, mais a mole vociferante dos que os seguem; e o adepto mesmo genuíno. Que exulta quando ganha e sofre na derrota. Neste último e muito mais numeroso grupo estão os que herdaram o amor desinteressado dos seus pais, mães ou avós. É nestes adeptos, a larguíssima maioria em qualquer grande clube, que reside a maior riqueza do emblema e a garantia de que há sempre futuro.
