De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Ó Vieira, mete o Moniz!!!

Uma vitória em casa e um empate fora, na Liga do Campeões, trazem um razoável pecúlio de pontos ao futebol português, que também neste sector está em seca extrema.

O Benfica ameaça sair da Europa sem entregar ao mealheiro português um pontinho que seja, nesta campanha desastrosa para os lados da Luz.

O que se passa no Benfica é mais complexo do que parece. As explicações simplistas, aritméticas, dizem, não desprovidas de razão, que o clube de Vieira vendeu em demasia e ficou com um plantel curto para a exigências. É verdade. Mas não explica toda a decadência do futebol encarnado.

O problema, mais do que nos que saíram, parece estar nos que ficaram. É na fadiga do sucesso, no envelhecimento de algumas peças, que treinam cada vez menos (não, Luisão não está neste lote!), no discurso virado para o passado de Rui Vitória, na aparente dívida de gratidão deste técnico para com alguns dos craques, que reside o grande problema do futebol do Benfica.

Os jornais continuam a conseguir fazer manchetes com Jonas. O brasileiro ainda marca golos lindos, mas quantas bolas divididas ganha? Quantas linhas de passe longo oferece? E Jonas é apenas o exemplo mais gritante de jogadores que estão a ocupar espaço no onze, sem entregarem rendimento compatível com o estatuto.

Agora, o Benfica vai ter, na competição interna, uns meses de vantagem sobre os seus rivais. Rui Vitória vai poder concentrar o seu acomodado plantel no objectivo do penta.

Mas se o futebol da Luz não ganhar fluidez. Se o jogadores que não têm a bola continuarem a poupar-se ao movimento e ao risco dos lances divididos. Se os jogos não tiverem mais de dois ou três centros de qualidade para as áreas adversárias. Alguém acredita que o Benfica vai ser campeão?

O futebol hoje praticado pela equipa de Rui Vitória fica a larga distância das dinâmicas de jogo conseguidas pelo FC Porto e Sporting.

Noutro domínio, o Benfica não se poupa a despesas. Na ridícula guerra de comunicação que agita os grandes clubes portugueses, Vieira contratou mais um ponta-de-lança. Uma figura estimável, que passou pelas franjas do jornalismo desportivo, reforça agora as fileiras de porta-vozes da Luz. Não questiono o benfiquismo do dito reforço, mas não será um tiro ao lado, mais um, de um presidente que tem entre os seus vices alguém chamado José Eduardo Moniz?
Moniz não aparece na guerra por opção própria? Ou Luís Filipe Vieira tem medo do brilho que dele poderia emanar e do dano que isso lhe poderia causar no futuro?

Certo é que, neste jogo de palavras no espaço mediático, o melhor avançado do Benfica ainda não saiu do banco.

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