Os parasitas da Luz

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Quem – com algum distanciamento profissional, sempre na busca de um olhar justo sobre o que se passa – tiver o dever de analisar as causas que ditaram o empate de ontem, só pode chegar a uma conclusão: o Benfica está a ser vítima do condicionamento mental gerado nos árbitros e vídeo-árbitros pelo caso dos emails.

Os vários lances de penálti nítido só podem ter passado em claro por, quer Hugo Miguel, o árbitro de campo, quer Tiago Martins, o árbitro das imagens gravadas, estarem capturados pela ideia de que agora não podem decidir lances capitais a favor do Benfica. Isso é péssimo para a aplicação da justiça sobre a relva e não é nada saudável para o ambiente que se vai viver até final do campeonato.

Porém, o Benfica, antes de tudo, deve queixar-se de alguns indivíduos que, dizendo-se benfiquistas, tiveram acesso ao ninho da águia. Luís Filipe Vieira criou nos seus longos mandatos, uma complexa corte, onde apenas alguns eleitos chegam à fala e ao pensamento do presidente. Os outros andam, ou andavam por ali, a tentar mostrar utilidade. A tentar justificar as suas chorudas avenças. A tentar apresentar serviço, sem grande controlo de produtividade e muito menos de ética.

Portanto, não tendo dúvidas sobre a legitimidade de ler e tratar jornalisticamente material noticiosamente relevante, que é divulgado por clubes rivais ou navega anónimo na net, sublinho que os verdadeiros benfiquistas devem, antes de tudo, pedir contas dentro da própria casa, pelo péssimo ambiente que o Benfica está a encontrar nas arbitragens.

A partir do momento em que, num desastroso movimento jurídico, o Benfica tentou travar a divulgação do emails e, no argumentário usado, acabou por confirmar a veracidade das mensagens em apreço, poucas dúvidas restarão de que, próximo de Vieira, gente havia empenhada em rezar missas, saber da vida privada, e até íntima, de árbitros ou derivados. Ou mesmo arrecadar, livres de impostos, uns milhares de euros mensais, com o pretexto de ter uns quantos jornalistas avençados. Sem que os próprios soubessem, claro.

Esta bola de neve de informação extraída da rede informática do Benfica parece estar ainda a crescer. Há o risco de, no meio de e-mails verdadeiros, começarem a aparecer mensagens falsas. Mas a justiça e os jornalistas conscientes saberão separar o trigo do joio, com recurso às ferramentas tecnológicas hoje disponíveis. E tudo deverá ser investigado até ao fim, apurando-se eventuais indícios de crime.

O que não é aceitável é ver treinadores, jogadores e adeptos serem prejudicados sobre a relva, por um punhado de parasitas terem assentado no corpo de servidores do clube da Luz, apenas para se servirem dele.

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