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De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Os vírus da Rússia

Amanhã, uma seleção com quatro jogadores sem clube defronta uma seleção de 23 jogadores sem selecionador. Sinceramente, preferia uma equipa liderada por Lopetegui do que qualquer outra Espanha. De Lopetegui já sabíamos o que esperar. Um futebol guardioliano de fancaria. Sem o desastre que o Real Madrid acaba de contratar, a Espanha torna-se imprevisível. Até pode jogar bem. Enfim, um perigo desconhecido.

Sinceramente, também preferia uma equipa portuguesa sem jogadores sujeitos a stress pós-traumático. Ter na baliza um jogador que trocou mensagens com um egocêntrico chamado Bruno de Carvalho, ou na ala direita, ou como potencial número-dez, ou a trinco, não pode deixar alguém que queira o nosso bem descansado.

Com o mal dos espanhóis podíamos nós bem. Infelizmente, alguém com dois dedos de testa resolveu mandar o vírus Lopetegui de volta a casa. Esperemos que o recobro dos atletas ainda apanhe o dia de amanhã.

Já o nosso vírus nacional é mais profundo, violento e constante. Bruno de Carvalho é o primeiro vírus da história que, não sendo digital, consegue projetar-se a milhares de quilómetros e fazer vítimas graves. Qual gripe das aves, qual quê? Bruno continua a enviar mensagens e a revelar o teor de conversas privadas sem autorização da contraparte. Bruno continua alapado ao Sporting! Bruno continua tatuado na pele de Patrício, de Gelson, de William, e de Bruno Fernandes.

Não acredito que os ex-jogadores do Sporting possam encontrar a tranquilidade necessária em tempo útil. Qualquer vítima de crimes em série saberá que as coisas não se esquecem com facilidade. Toda a doutrina sobre a matéria aponta para danos psicológicos profundos e quase irreversíveis.

É mais simples a um Hierro qualquer dizer ao selecionado espanhol que agora vão poder jogar simples, não fazer a bola rodar pelo guarda-redes para mudar de flanco, poder fazer passes de rutura e rematar de longe, do que a Fernando Santos dizer às vítimas de Bruno de Carvalho, vá malta, agora estamos na seleção e vamos todos esquecer esse doido varrido, com tiques de Napoleão, que assassinou a vossa equipa e está a destruir o vosso clube.

Para desgraça de todos os portugueses, nem Rui Patrício nem William têm substitutos à altura na atual seleção. Vamos ter de jogar com estes dois excelentes jogadores a titulares, apesar da intranquilidade gerada e mantida em torno deles nos últimos meses.

A Espanha já se livrou do seu fantasma. Nós dificilmente nos conseguiremos livrar do nosso. Nem sequer o Sporting consegue. O vírus-Bruno consome as pessoas, os estatutos do clube, os investidores. Só a justiça encontrará vacina para este mal.
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