De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Diretor-geral da Cofina

Parasitas e cágados assassinos

Quem gosta de futebol sabe que, entre o nosso olhar de fora e as decisões dos treinadores, há sempre enormes discrepâncias. Os treinadores lidam com coisas que nem imaginamos. Equilíbrios políticos nos balneários. Lesões e falsas lesões. Negócios ínvios. Afirmações de poder. Depois, por vezes, inventam mais do que Deus dá. Os excessos de pressão levam a isso. Os excessos de auto-estima, também. Não vou recordar mais do que o desastre decidido por um técnico de qualidade extra, Jorge Jesus, ao colocar David Luiz, na esquerda a marcar Hulk. Lembram-se?

Estamos, hoje, na véspera de um escaldante FC Porto-Benfica. Tem toda a razão Rui Vitória, quando evoca o triângulo virtuoso: jogadores, treinadores, árbitros. São estes agentes, e apenas estes, que podem arrancar o futebol das garras dos parasitas que o têm sequestrado nas últimas décadas. Para o entregar à sua razão final – os adeptos.

Não esperemos que, nas palavras de hoje, Sérgio Conceição ou Rui Vitória sejam brandos ou vácuos. A missão dos líderes técnicos, na véspera de um grande jogo é deixarem ideias no ar. A pairar luz sobre o seu exército e a cair tempestade sobre as forças adversárias. Quanto melhor, mais assertivo, for o discurso de cada um dos técnicos, mais promete o duelo sobre a relva, aprazado para amanhã.

Cada um dos técnicos tenderá a incluir no seu discurso figuras de estilo, destinadas à interpretação da terceira equipa em campo. O terceiro vértice do triângulo definido por Rui Vitória. Triângulo, cuja descodificação, Sérgio Conceição subscreveria na íntegra, não estivesse em véspera de um grande duelo.

Todos os homens do futebol sabem que tudo, num grande clássico, se deveria passar entre o triângulo confinado por jogadores, treinadores e árbitros. Com as paixões a pulsar nas bancadas do estádio e nas televisões de todo o Mundo em Português.

São os parasitas, os cágados, regurgitantes em torno deste maravilhoso fenómeno, o futebol, que o estragam e tornam azedo. Irão matá-lo, se deixarmos.

Muito pior do que um técnico, ou um jogador que não aguenta a pressão, e assim fica negativamente na história de um clássico; muito pior do que um árbitro medroso, que por isso grava o seu nome a negativo na memória colectiva – mesmo na dos vencedores –; muito pior do que tudo o que possam fazer quaisquer agentes do triângulo virtuoso definido por Rui Vitória; muito, muito piores, do que tudo isso, são a ações dos senhores de cinzento, que estão no futebol, nas suas tribunas ou túneis, como poderiam estar no boxe ou no póquer, só para poderem vender resultados condicionados. E com isso julgam achar que ganham a vida.
Mesmo que com isso matem lentamente a paixão. E, com ela, a dimensão mágica do jogo.

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