Tanto azar para analisar

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Jogar futebol com raiva não costuma dar grandes resultados. Principalmente quando quem joga com raiva se movimenta do meio-campo para a frente. Regra geral, a raiva cega e tolhe o talento. Mas, ontem, na Luz, um jovem baiano, que o Benfica colocou na Turquia, jogou com a raiva contida até às palavras que disparou no final e, porém, teve a frieza suficiente para empurrar o jogo até à baliza do seu antigo clube, para depois, num golpe de talento, obter o empate num remate quase indefensável, no último minuto.

O talento de Talisca ditou o empate na Luz. A falta de talento de Gonçalo Guedes, frente ao guardião contrário, uns minutos antes, não matou o jogo a favor do Benfica. No momento em que escrevo, o jovem avançado deve estar a ver e rever mentalmente o momento em que optou por rematar para a esquerda do adversário, em vez de o contornar para a direita como o lance pedia. Mas Gonçalo Guedes deve levantar a cabeça e olhar em frente. Está a tornar-se um jogador útil para o Benfica. Cresceu muito na agressividade defensiva que lhe faltava. É uma opção válida para Rui Vitória ou para qualquer outro treinador dos grandes clubes da segunda linha europeia.

Uma vitória do Benfica seria quase injusta, face à incapacidade que a equipa revelou no ataque. Entre os vestidos de vermelho, ninguém sabia os segredos da baliza contrária.

É preciso perceber a que se deve a onda de lesões no ataque da Luz. Ter todos os avançados lesionados, não pode ser mero golpe de azar. No futebol, como na vida, se a sorte dá muito trabalho, o bom trabalho não pode chamar tanta má sorte.

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