De olhos na bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Ter ou não ter golo

O Benfica não tem quem encontre o caminho da baliza. Claro que Cervi, Pizzi, Salvio, André Almeida e até os centrais irão marcando uns golitos para disfarçar a míngua. Até agora, o que ficou claro sobre Ferreyra é a sua vulgaridade. Ou melhora imenso, ou não tem lugar no plantel do Sp. de Braga (com todo o imenso respeito que o clube me merece). Um avançado que não sabe sair da linha de alcance dos defesas colocados entre ele e o colega que transporta a bola não ‘tem golo’.

‘Ter golo’ é uma expressão recente, que ouvi pela primeira vez há alguns anos a um grande empresário de jogadores. Soou bem. Poucas sílabas onde cabem todas as definições aplicáveis a um avançado. Ou mesmo a alguns médios e defesas.

Este Ferreyra ou adquire rapidamente instintos que ainda não revelou, ou ameaça ser o grande escândalo desta época. Vamos ver como evolui a situação, mas seria ridículo ter Rui Vitória a explicar a um craque salarial que deve travar a corrida quando há um segmento de reta ocupado por defesas entre ele e o colega que transporta a bola. Ou então que deve acelerar e atacar em antecipação o primeiro-poste. Até agora, a movimentação de Ferreyra é apenas ridícula e, por isso, desconcertante para os flanqueadores do Benfica.

Como Ferreyra é uma aposta cara, tem relegado para o banco dos suplentes Castillo. Este não tem muito golo, mas tem algum. Mostra escola na movimentação e remate fácil. Encontra círculos de concretização com pés e cabeça. Até agora, a maioria dos remates são de pólvora seca. Mas saem em direção à baliza.

Com este drama criado por reforços que ainda não mostraram merecer o nome, Jonas vai vivendo numa montanha russa, entre notícias que o dão a caminho de Jesus, na Arábia Saudita; que explicam como as costas do goleador já não aguentam a pressão de mais uma época – quanto mais duas – a resolver jogos para o Benfica; e as declarações de Vieira a garantir que quer renovar com o brasileiro. O tempo não volta para trás. Jonas estava num bom momento para sair. Só falta golo aos avançados contratados para o fazerem esquecer. Isto é muito simples: quando se fala de avançados, quem tem golo, tem tudo, quem não tem golo, anda lá dentro a bater-se, suar, fazer número, mas raramente resolve. É como cidadão a jogar no Euromilhões.

Vamos seguir as cenas dos próximos capítulos para perceber se Ferreyra, principalmente, e também Castillo atiram para trás das costas estas fracas primeiras impressões. É que, até agora, vale mais um Jonas a passear na área com dores de costas do que os outros dois pontas-de-lança a voar.

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