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A Taça da Liga devia chamar-se a taça dos técnicos. Tem mais hipóteses de vencer a Taça da Liga a equipa que mais interioriza no instinto de cada jogador os grandes movimentos coletivos eleitos pelo seu treinador. É o conjunto que menos sente oscilação quando troca várias peças que tem mais hipóteses de vencer este troféu. A sua importância crescente dita também um olhar da entidade organizadora sobre o tsunami de milhões que se está a abater sobre o campeonato português. 

Também a Taça da Liga deve ser abrangida por este maná lançado pelas grandes distribuidoras para eliminar etapas na cadeia de valor. Onde ontem havia quatro degraus (clubes, PPTV, Sport TV ou outro canal de TV e distribuidor), parece só restar lugar para dois – clube e distribuidor.

O que agora luz como ouro, dentro de seis ou sete anos poderá soar a latão. Contratos do tipo que os clubes agora celebram, tão abrangentes na entrega de direitos e com efeitos tão prolongados no tempo, podem até vir a ter uma legalidade duvidosa. Mas essa será tarefa para grandes juristas, daqui a um punhado de anos.

Para já, o tempo é de alegria no futebol, com uma chuva de milhões que permitirá controlar a dívida e lograr maior competitividade no plano europeu. Um passo essencial para que a nossa Liga ganhe expressão global. Que não tem e merece. Quando se fala em diplomacia económica deveria sempre reservar-se alguns parágrafos para o produto futebol. Especialmente em África, mas também nos milhões de consumidores emergentes na Ásia.

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