Um milhão para ti, dois para mim

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Tudo faz crer que o FC Porto bateu no fundo, vindo de quatro décadas de intenso êxito, nacional e internacional. É difícil fazer pior? É sempre possível fazer pior.

Este prolongado período sem treinador é o maior sinal do desnorte que hoje assola o enorme clube do Norte.

Numa fase crucial da preparação da nova época, não há alguém para despachar com o presidente (ainda é com o presidente que se despacha no Dragão?) as decisões técnicas urgentes. Quem entra, quem sai, quem se compra, quem se vende? Ou é já imperioso encontrar um técnico competente para assumir as decisões; ou estamos perante a assunção pública de que quem manda no Dragão é um punhado de empresários e comissionistas. Neste caso, um treinador só atrapalha, quando se está a decidir o plantel na obediência ao princípio de um milhão para ti, dois milhões para mim. Assim, melhor é não haver alguém que fique comprometido com o leva e traz de contentores com craques. Depois de feitos os negócios, pode Pinto da Costa chamar um treinador com prestígio mas ainda desempregado e dizer-lhe que é pegar naquele plantel, ou largar a hipótese de contrato.

É incrível o estado a que Pinto da Costa deixou chegar o seu clube, após tantos títulos gloriosos. Jogadores, treinadores, presidentes, poucos são os que sabem sair do futebol pela porta grande. O presidente do FC Porto é apenas mais um caso. Se os comandados de Pinto da Costa iniciarem a nova época sem o brilho a que os portistas se habituaram, vai haver dragões por cordas na cidade do Porto.

Se a equipa começar a época sem vencer e convencer, as autárquicas de outubro servirão para ainda mais se incendiarem os ânimos.

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