De Olhos na Bola

Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

Valha-nos o Santo Condestável

Tenho uma diáfana memória do Mundial de 66, ao colo de meu Pai. De 70, recordo Pelé. O resto são cores díspares. Com oito anos fixei a Alemanha, branca. A Itália, azul antes de tempestade. O azul que só acontece entre a terra e o céu. Que me perdoem os mais velhos, ou mais académicos dos temas. Mas só recordo estas cores. E Pelé.


Em 74, a luta era entre o sonho de Cruyff e o império de Beckenbauer. Ambos líderes. Ambos de cabeça levantada. Mais constante o alemão. Mais genial o holandês.


Depois veio o caos da ditadura argentina. A equipa da casa venceu. Doida, dominante. Surgiu-me agora uma pergunta – como estão os membros dessa equipa? Olhando agora, parecia uma equipa James Dean.

Em 82, aconteceu a vitória da prosa sobre a poesia. A Itália venceu. O Brasil do sonho marketeiro, do extrarreal, perdeu. É preciso que a realidade confirme as superioridades induzidas, percecionadas. Por isso, existe a Democracia. Para responder à pergunta do espelho meu, espelho meu, alguém joga melhor futebol do que eu? Ou alguém governa melhor do que eu. E o espelho responde.

Depois chegou Maradona. Em 86, México. Havia outros muito bons. Um alemão chamado… como se chamava o alemão? Era dos melhores de sempre. Mas Maradona apagou-o. Em 90, a Alemanha desforrou-se, com um operário chamado Matthäus a prevalecer sobre o diletante Maradona.


94 foi o Brasil travestido quem venceu. 98, a França caseira. 2002 de novo o Brasil. Com muita tralha na defesa. E um Ronaldo e outro Ronaldinho, que eram apenas os apóstolos de Ronaldo. O nosso! 2006, 2010, 2014. Só 2010 merece grande registo, pelo futebol de Espanha, em jeito, de pé para pé, de baliza a baliza.


Nenhuma grande criatividade estratégica, desde que as grandes seleções se apresentaram com três centrais. Esse último grande movimento criativo começou no Mundial de 98 e estendeu-se por 2002.


Desde aí. O futebol está preguiçoso e conservador. À mercê das vedetas e do mais forte. Valha-nos D. Nuno Álvares Pereira e sua mais próxima encarnação Ronaldo. Mas o Engenheiro, parece estar com dúvidas…

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