Vender para reter

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Só amanhã se poderá analisar com algum rigor o perfil das maiores equipas portuguesas. O mercado pode esculpir os grandes portugueses, mais do que os seus competentes técnicos.

Vejamos o Sporting. A equipa que bateu de forma categórica o FC Porto pode ficar amputada durante o dia de hoje do seu ponta-de-lança e do seu maestro. Sem Slimani, o Sporting ficará mais fraco? Sim, mas pode manter o seu perfil de jogo . Porém, sem Adrien, o registo da equipa teria de mudar.

Se perder Adrien, provavelmente, Jorge Jesus terá de deslocar Bryan Ruiz para o centro. O Sporting manteria a capacidade de retenção de bola e de mudança de ritmo nas iniciativas de ataque. Mas Adrien é muito mais completo do que Bryan Ruiz. É mais estoico no combate pela posse de bola. Não teme o choque nem a dor.

Sobre Adrien, volto ao grande dilema dos grandes clubes portugueses – queremos que se transformem em meras plataformas giratórias para jogadores de talento? Ou as vendas necessárias devem servir também para reter atletas-bandeira, em torno dos quais se podem construir equipas internacionalmente competitivas?

Todos os que vibramos com este jogo maravilhoso preferimos o segundo cenário. Mas a identificação afetiva de bons craques com os seus emblemas não pode ser feita à custa da legítima aspiração destes jogadores a salários que se aproximem das propostas inglesas, espanholas, italianas ou alemãs. É necessária capacidade financeira para manter alguns dos melhores.

Só a retenção de talentos com carisma permitirá aos clubes portugueses continuar a ombrear com os emblemas dos campeonatos mais ricos da europa. E, sem isso, os grandes negócios tenderão a acabar.

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