Zé Roberto, o fenómeno

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Num dia em que o futebol brasileiro caiu num profundo luto, permita-me o leitor que fale de um grande facto, positivo, também verificado no Brasil: Há um jogador brasileiro que devia entregar o seu corpo à ciência. E não falo para quando a sua alma já não precisar de invólucro.

Zé Roberto devia começar já a ser esmiuçado, como grande exceção aos limites físicos ditados à espécie humana. Aos 42 anos, sagrou-se campeão brasileiro. Na baliza? Não. Mesmo na baliza, alguém que chega aos 42 anos a conseguir o lugar de guardião das redes de um emblema que consegue ser campeão é um fenómeno.

Mas o caso que trazemos a este espaço não é o de um atleta excecional, capaz de manter reflexos e músculos destros para responder a remates adversários, correndo pouco. Não. Zé Roberto foi um grande avançado, depois médio de ataque, que chegou ao Palmeiras, em final de carreira, e aceitou com humildade o lugar de… lateral-esquerdo. Isto, na época passada. Este vosso escriba, amante do futebol tropical, achou que tudo não passava de uma artimanha do técnico para afastar um jogador caro definitivamente do onze. Mas Zé Roberto aceitou a posição. E cumpriu.

Esta época, com a equipa arrumada e um Gabriel Jesus já quase maduro, no génio dos seus 19 anos, Zé Roberto continuou a fazer todo o corredor esquerdo. A driblar e passar com mestria. A entrar na área com perigo. A cortar lances de perigo. A merecer um lugar na história do futebol contemporâneo e um estudo exaustivo da medicina para perceber a que se deve este fenómeno.

Se Zé Roberto não arrumar as botas, por mais tardio que seja o jogo, lá estarei, colado ao ecrã, a testemunhar mais um capítulo de uma lenda. Zé Roberto é já, nos relvados, mais extraordinário do que Mike Jagger nos palcos.

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