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Gaitán foi a contratação estrela do Atlético Madrid no mercado de verão. Os adeptos colchoneros ficaram felizes quando souberam que o argentino seria jogador rojiblanco para os próximos anos e todos eles pensavam (e esperavam) que o Nico começasse a dar assistências e a fazer golos logo no primeiro jogo oficial. Mas a adaptação profissional e social muitas vezes é difícil até para os craques, como é o caso do argentino. Finalmente, três meses depois de ter chegado a Madrid, Gaitán conseguiu demonstrar o seu talento. A semana passada, na oitava jornada da liga espanhola, fez dois golos no Vicente Calderón e aliviou toda a pressão que tinha sobre as suas costas. Depois do jogo, pensei na felicidade que deveria estar a sentir o Nico por tirar aquela ansiedade de cima e recuei no tempo. Na época 1987/88, naquele mesmo estádio e na oitava jornada também, foi um dia muito especial para mim. E a minha felicidade era igual à dele. O Estádio Vicente Calderón, com a alta tecnologia que existe hoje em dia, deveria ser alvo de um estudo para se conseguir saber a razão de muitos jogadores (e alguns deles consagrados) fracassarem ali . O último grande exemplo foi o Jackson Martínez.... Durante a minha etapa como colchonero, tive companheiros que faziam coisas de autênticos craques no mesmíssimo Vicente Calderón, mas só nos treinos e com o estádio vazio. Com as bancadas cheias, por uma razão ou outra nunca conseguiram demonstrar as suas grandes virtudes. O medo cénico ao Calderón é tremendo.
Joguei em muitas equipas e algumas vezes tive problemas com a adaptação, seja ao clube, à cidade, ao país, etc.... mas a única vez que senti medo foi naquele mítico estádio. No primeiro jogo da época 1987/88, o Atlético recebia o Sabadel, era a minha estreia oficial com a camisola colchonera. Foi um dos piores jogos da minha carreira... Três meses antes tinha jogado a final da Champions, com transmissão para meio Mundo. Tinha 21 anos e a pressão mediática podia assustar-me, mas não. Fiz um jogo espetacular e o FC Porto ganhou ao Bayern a Taça dos Campeões Europeus.
Mas no meu primeiro jogo no Vicente Calderón a bola parecia que me queimava os pés e fui uma sombra de mim mesmo. Felizmente, nos dois jogos seguintes melhorei o nível e no quarto jogo no nosso estádio ganhámos 1-0 ao Múrcia e fui eu que marquei o golo, foi a minha consagração no Vicente Calderón.
Este é o momento sonhado por todos os jogadores, quando chegam a uma grande equipa. O argentino conseguiu este feito na semana passada e a partir de agora os colchoneros vão começar a ver o verdadeiro Gaitán.
Por outro lado, estamos a chegar ao mês de novembro e as novas contratações de Benfica (Kalaica, Rafa, Carrillo, Celis, Danilo, André Horta, Franco Cervi e Zivkovic), FC Porto (João Teixeira, Boly, Diogo Jota, Alex Teles, Filipe, Laurent Depoitre e Oliver) e Sporting (Bast Dost, Markovic, André, Castaignos, Douglas, Beto, Petrovic, Meli, Alain Ruiz, Elias, Spalvis e Campbell) estão na difícil fase de adaptação. Poucos deles, até agora, conseguiram demonstrar o seu valor. Se tivermos de dar uma nota de 0-10 aos 27 jogadores contratados no mercado de verão, pelos três grandes, poucos merecem nota positiva.
Para alguns a adaptação está a ser difícil, para outros o medo cénico do Estádio do Dragão, da Luz ou de Alvalade assusta, mas todos têm o mesmo sonho, que é fazer o jogo perfeito e que o momento sonhado chegue rapidamente.
Caldeirada da semana - Os animais de Varsóvia
Os adeptos do Legia Varsóvia foram protagonistas de cenas lamentáveis nas ruas de Madrid, na terça-feira. Quando vi as imagens de vários polícias de intervenção feridos, fiquei sem palavras. Como é possível que estes 4 mil animais pudessem viajar tranquilamente a outro país? Depois dos incidentes que causaram no jogo com o Dortmund, na 1.ª jornada da fase de grupos – que foram tão graves que a próxima partida em Varsóvia, com o Real, vai ser à porta fechada – não entendo como podem sair da Polónia. Se destroem o estádio deles e a cidade onde vivem, vão fazer muito pior quando viajam a outros países, já que a estes animais a última coisa que lhes importa é o futebol. É inacreditável que em 2016 aconteçam situações horríveis como as de terça-feira.
Nós lá fora - Bernardo Silva
O esquerdino de ouro continua a espalhar magia por essa Europa fora. Hoje é pretendido por grandes clubes europeus, e se segue com este nível impressionante, na próxima época dará o salto sem nenhuma dúvida.Na última jornada da Liga dos Campeões, marcou o golo do empate do Monaco com um toque de génio, na Rússia, frente ao CSKA de Moscovo, no último segundo.
Parabéns, campeão.
Álbum de recordações - Dínamo Kiev
Cada vez que uma equipa portuguesa joga contra o Dínamo de Kiev, recordo-me da meia-final inesquecível da Taça dos Campeões Europeus de 1987. Para o FC Porto chegar à final tinha de eliminar aquela equipa mítica do Dínamo. Antes das partidas ,vimos vários jogos deles e metiam medo, não tinham pontos débeis. Do onze base, os dez de campo eram titulares da seleção soviética. A única possibilidade era fazer dois jogos perfeitos, não cometer erros nos 180 minutos e rezar para que não estivessem inspirados. E assim foi: ganhámos ambos os encontros por 2-1. Após a 2.ª mão, no balneário em Kiev, vivi um dos momentos mais felizes da minha vida. Sentir aquela felicidade extrema por ir disputar uma final da Champions foi um momento único.
Por Paulo Futre