_

Paulo Futre
Paulo Futre

A adaptação e o medo cénico

Gaitán foi a contratação estrela do Atlético Madrid no mercado de verão. Os adeptos colchoneros ficaram felizes quando souberam que o argentino seria jogador rojiblanco para os próximos anos e todos eles pensavam (e esperavam) que o Nico começasse a dar assistências e a fazer golos logo no primeiro jogo oficial. Mas a adaptação profissional e social muitas vezes é difícil até para os craques, como é o caso do argentino. Finalmente, três meses depois de ter chegado a Madrid, Gaitán conseguiu demonstrar o seu talento. A semana passada, na oitava jornada da liga espanhola, fez dois golos no Vicente Calderón e aliviou toda a pressão que tinha sobre as suas costas. Depois do jogo, pensei na felicidade que deveria estar a sentir o Nico por tirar aquela ansiedade de cima e recuei no tempo. Na época 1987/88, naquele mesmo estádio e na oitava jornada também, foi um dia muito especial para mim. E a minha felicidade era igual à dele. O Estádio Vicente Calderón, com a alta tecnologia que existe hoje em dia, deveria ser alvo de um estudo para se conseguir saber a razão de muitos jogadores (e alguns deles consagrados) fracassarem ali . O último grande exemplo foi o Jackson Martínez.... Durante a minha etapa como colchonero, tive companheiros que faziam coisas de autênticos craques no mesmíssimo Vicente Calderón, mas só nos treinos e com o estádio vazio. Com as bancadas cheias, por uma razão ou outra nunca conseguiram demonstrar as suas grandes virtudes. O medo cénico ao Calderón é tremendo.

Joguei em muitas equipas e algumas vezes tive problemas com a adaptação, seja ao clube, à cidade, ao país, etc.... mas a única vez que senti medo foi naquele mítico estádio. No primeiro jogo da época 1987/88, o Atlético recebia o Sabadel, era a minha estreia oficial com a camisola colchonera. Foi um dos piores jogos da minha carreira... Três meses antes tinha jogado a final da Champions, com transmissão para meio Mundo. Tinha 21 anos e a pressão mediática podia assustar-me, mas não. Fiz um jogo espetacular e o FC Porto ganhou ao Bayern a Taça dos Campeões Europeus.

PUB

Mas no meu primeiro jogo no Vicente Calderón a bola parecia que me queimava os pés e fui uma sombra de mim mesmo. Felizmente, nos dois jogos seguintes melhorei o nível e no quarto jogo no nosso estádio ganhámos 1-0 ao Múrcia e fui eu que marquei o golo, foi a minha consagração no Vicente Calderón.

Este é o momento sonhado por todos os jogadores, quando chegam a uma grande equipa. O argentino conseguiu este feito na semana passada e a partir de agora os colchoneros vão começar a ver o verdadeiro Gaitán.

Por outro lado, estamos a chegar ao mês de novembro e as novas contratações de Benfica (Kalaica, Rafa, Carrillo, Celis, Danilo, André Horta, Franco Cervi e Zivkovic), FC Porto (João Teixeira, Boly, Diogo Jota, Alex Teles, Filipe, Laurent Depoitre e Oliver) e Sporting (Bast Dost, Markovic, André, Castaignos, Douglas, Beto, Petrovic, Meli, Alain Ruiz, Elias, Spalvis e Campbell) estão na difícil fase de adaptação. Poucos deles, até agora, conseguiram demonstrar o seu valor. Se tivermos de dar uma nota de 0-10 aos 27 jogadores contratados no mercado de verão, pelos três grandes, poucos merecem nota positiva.

PUB

Para alguns a adaptação está a ser difícil, para outros o medo cénico do Estádio do Dragão, da Luz ou de Alvalade assusta, mas todos têm o mesmo sonho, que é fazer o jogo perfeito e que o momento sonhado chegue rapidamente.

Caldeirada da semana - Os animais de Varsóvia

Os adeptos do Legia Varsóvia foram protagonistas de cenas lamentáveis nas ruas de Madrid, na terça-feira. Quando vi as imagens de vários polícias de intervenção feridos, fiquei sem palavras. Como é possível que estes 4 mil animais pudessem viajar tranquilamente a outro país? Depois dos incidentes que causaram no jogo com o Dortmund, na 1.ª jornada da fase de grupos – que foram tão graves que a próxima partida em Varsóvia, com o Real, vai ser à porta fechada – não entendo como podem sair da Polónia. Se destroem o estádio deles e a cidade onde vivem, vão fazer muito pior quando viajam a outros países, já que a estes animais a última coisa que lhes importa é o futebol. É inacreditável que em 2016 aconteçam situações horríveis como as de terça-feira.

PUB

Nós lá fora - Bernardo Silva

O esquerdino de ouro continua a espalhar magia por essa Europa fora. Hoje é pretendido por grandes clubes europeus, e se segue com este nível impressionante, na próxima época dará o salto sem nenhuma dúvida.Na última jornada da Liga dos Campeões, marcou o golo do empate do Monaco com um toque de génio, na Rússia, frente ao CSKA de Moscovo, no último segundo.

Parabéns, campeão.

PUB

Álbum de recordações - Dínamo Kiev

Cada vez que uma equipa portuguesa joga contra o Dínamo de Kiev, recordo-me da meia-final inesquecível da Taça dos Campeões Europeus de 1987. Para o FC Porto chegar à final tinha de eliminar aquela equipa mítica do Dínamo. Antes das partidas ,vimos vários jogos deles e metiam medo, não tinham pontos débeis. Do onze base, os dez de campo eram titulares da seleção soviética. A única possibilidade era fazer dois jogos perfeitos, não cometer erros nos 180 minutos e rezar para que não estivessem inspirados. E assim foi: ganhámos ambos os encontros por 2-1. Após a 2.ª mão, no balneário em Kiev, vivi um dos momentos mais felizes da minha vida. Sentir aquela felicidade extrema por ir disputar uma final da Champions foi um momento único.

Por Paulo Futre
Deixe o seu comentário
PUB
PUB