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Paulo Futre
Paulo Futre

A vingança do Cholo Simeone

No momento que vi a notícia de que o Cholo Simeone seria o novo treinador do Atlético Madrid, em dezembro de 2011, fiquei contente por duas razões: porque tínhamos uma boa relação desde 1997, quando ele era ainda jogador colchonero e eu embaixador do clube, e também porque a situação do Atlético era caótica, estava nos últimos lugares da tabela e muitos adeptos rojiblancos já começavam a ter pesadelos com o inferno da segunda divisão. O Cholo – por ser um mito para os colchoneros e pelo seu caráter competitivo e ganhador – era dos poucos treinadores que podia dar completamente a volta à situação horrível que o clube vivia.

Apesar de termos tido um pequeno problema (por um mal-entendido) mas que foi rapidamente ultrapassado depois de falarmos pessoalmente, sempre tive com ele uma boa relação, desde o dia em que chegou a Madrid. E, nesta altura, não tenho mais palavras para o elogiar por tudo o que ele fez nestes anos como treinador do Atlético Madrid.

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Na quarta-feira, após o jogo com o B. Leverkusen, fiquei muito feliz por ele meter novamente – pelo quarto ano consecutivo – o Atlético nos ‘quartos’ da Champions. E também pensei como estariam naquele momento todos os inimigos do Cholo. A maioria deles, a 1 de fevereiro, após a derrota por 2-1 em casa, no jogo da primeira mão da Taça do Rei com o Barcelona, crucificaram o argentino com críticas injustas, sanguinárias. Fiquei tão revoltado com algumas, que no dia 5, no meu espaço ‘Los toques de Futre’ no diário ‘Marca’, escrevi isto:

"Alex Ferguson foi o treinador do Manchester United entre 1986 e 2013e em cada temporada desses 27 anos estava obrigado a ganhar títulos e sempre teve pressão. Viveu momentos bons e menos bons, mas a sua mensagem de motivação aos jogadores nunca se esgotou, o seu discurso teve êxito até ao último dia como técnico dos red devils e a prova está no seu derradeiro ano, com a conquista do título da Premier 2012/13. O Sir está entre os melhores técnicos da história do futebol e melhor que ninguém sabe o excelente trabalho que está a fazer Simeone no Atlético Madrid. Por esta razão adorava saber a sua opinião sobre estas frases que vários entendidos fizeram esta semana: ‘O projeto do Cholo precisa de outro ar e o Atlético também [...]. É evidente o desgaste do Cholo e dos jogadores rojiblancos [...]. O desgaste de perder as duas finais de Champions League foi tremendo e o Cholo já não consegue motivar os seus jogadores [...]. O Cholo está esgotado e vê-se na sua cara [...]. A mensagem do Cholo já não passa no balneário colchonero. [...] O Cholo tem que sair do Atlético para crescer como treinador. [...] Cinco anos é muito tempo e os jogadores estão cansados do discurso do Cholo’ ... e poderia continuar até encher toda esta página com frases deste tipo. A maioria dos jornalistas, ex-jogadores de futebol, treinadores e comentadores que disseram estas frases têm grande credibilidade em Espanha, alguns são meus amigos e respeito sempre as suas opiniões. Mas qual destes excelentes profissionais tinha coragem de fazer em direto na televisão esta afirmação ao Sir Alex Ferguson: ‘Míster, após cinco anos a mensagem do Cholo já não chega nem motiva os seus jogadores, o ciclo de Simeone está esgotado e acabou’? Nenhum, porque Ferguson esteve 27 anos seguidos no mesmo clube e conseguiria tornar ridícula a questão."

Joguei em nove clubes, tive treinadores de top mundial, outros de bom nível e alguns menos bons. Pela minha experiência, nenhum balneário conseguiria estar nos ‘oitavos’ da Champions (passando como primeiro do seu grupo), nas ‘meias’ da Taça do Rei e ter sido líder na melhor liga do Mundo na oitava jornada se os jogadores não acreditassem totalmente e cegamente no seu líder.

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Passaram sete semanas desde as críticas duras a Simeone e não foi necessário que estes entendidos questionassem Sir Alex Ferguson para ficarem muito mal na fotografia. Quinta-feira escrevi algo assim: "Adorava ver a cara de todos os críticos do Cholo ontem, quando o Atlético eliminou o Bayer Leverkusen. A noite deve ter sido horrível e de certeza que mais de um teve pesadelos com Simeone, porque o treinador que para eles estava totalmente desgastado, esgotado e acabado, tinha metido a sua equipa nos ‘quartos’ da melhor competição de clubes do Mundo."

Nestes últimos dias, estive atento às rádios e televisões onde eles trabalham, e alguns adoeceram. Hoje é domingo e continuam escondidos. Para todos estes críticos a vingança do Cholo foi tremenda...

Caldeirada da semana - Guardiola eliminado

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ç Nos quatro anos em que foi treinador do Barcelona e nos três no Bayern Munique, o Pep sempre chegou às meias-finais da Champions League. E disputou duas finais com os culés e foi campeão em ambas. Em sete anos, meter a sua equipa sete vezes entre as melhores quatro da Europa só está ao alcance dos fenómenos. Tudo indicava que este ano, à frente do Manchester City, o Pep ia estar pela oitava vez nas meias-finais... Mas chegou o Monaco de Leonardo Jardim e com eles também o primeiro grande fracasso do Guardiola como técnico. Que caldeirada para Pep por ser eliminado nos oitavos-de-final.

Nós lá fora - Os 10 portugueses de Champions

Depois da eliminação do FC Porto em Turim, o futebol português (infelizmente) não terá nenhum clube a representá-lo nos ‘quartos’ da Champions. Mas Portugal continua a estar bem representado na máxima competição europeia. Nas oito equipas em prova, só na Juventus e Leicester é que não temos jogadores. Incrível. Nas outras seis estão Cristiano, Pepe e Coentrão no Real; Raphaël Guerreiro no Dortmund; Renato Sanches (B. Munique), Tiago (Atlético), André Gomes (Barcelona) e, no Monaco, Bernardo Silva, Moutinho e o grande míster que ganhou a guerra a Guardiola, Leonardo Jardim. A todos eles boa sorte para os quartos-de-final.

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Álbum de recordações - Ser árbitro é mesmo complicado

Luis Aragones, uma vez por semana, fazia sempre treino de conjunto entre os titulares e suplentes… O árbitro era o seu adjunto e quando as coisas aqueciam, quando apitava o que fosse era insultado. O génio do Luis um dia viu que eu tinha passado o limite com o seu adjunto, parou o treino e disse em voz alta: "Quero estes últimos 20 minutos de máxima intensidade e o português será o árbitro". Jogou-se só cinco minutos, os outros 15 foram para as discussões e insultos que tive com os meus companheiros cada vez que apitava o que fosse. Com um deles a discussão continuou dentro do balneário e quase que nos pegávamos. Recordei-me desta história quando na sexta-feira o treinador do Tottenham, Pochettino, disse isto: "Por vezes, nos treinos, fazemos de árbitro e é tão complicado lidar com os jogadores: todos se queixam, todos querem a bola, nunca fazem faltas. Ser árbitro é mesmo complicado."

Por Paulo Futre
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