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Paulo Futre
Paulo Futre

As broncas de CR7

Assim que vi Cristiano Ronaldo a ser eleito melhor jogador do Mundo, empatando com Lionel Messi em cinco Bolas de Ouro conquistadas, a minha mente viajou ao ano 2013, altura em que o argentino ganhava, neste particular, injustamente ao português, por 4-1, com a conquista do troféu em 2009, 2010, 2011 e 2012 , contra o único de CR7, em 2008.

Pensei especialmente em duas coisas. Na força brutal que teve o Cristiano para dar a volta à situação e na única crónica que escrevi para o diário ‘Marca’ em 2013. Aliás, desde o primeiro jogo oficial do Atlético Madrid, na época 2009/10, ao último, que foi ontem com o Villarreal, que escrevo sobre a atualidade colchonera no meu espaço ‘Los toques de Futre’.

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Em todos estes anos, participei, em Espanha, em muitos programas desportivos de rádio e televisão e dei várias entrevistas a jornais. Sempre falei maravilhas do Cristiano e, em algumas ocasiões, quando ele estava envolvido em alguma polémica, defendi-o invariavelmente com unhas e dentes. Além de ser esse o meu sentimento, muito por força da admiração que tenho por ele, tratava-se também de um dever para com um compatriota.

O único sítio em que nunca falei do Cristiano (nem bem nem mal) e dos portugueses que jogaram ou jogam no Real Madrid e no Barcelona, inclusive do José Mourinho quando treinava os merengues, foi na ‘Marca’. O meu espaço ‘Los toques de Futre’ é um exclusivo rojiblanco. Todos os textos foram pensados e escritos com o sentimento colchonero.

Mas, naquele dia de novembro de 2013, sentia tanta raiva e indignação que nem o nome do meu Atlético Madrid escrevi. "O outro parece um comandante…; O outro gasta mais dinheiro em cabeleireiro". Chocado, surpreendido, revoltado, indignado. Foi tudo isto que senti quando vi o vídeo de Sepp Blatter sobre o Cristiano Ronaldo. Uma tremenda falta de respeito para com o craque português. Vinda do homem com mais responsabilidades no futebol mundial. Nada mais, nada menos do que o presidente da FIFA.

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O Cristiano é um líder, um campeão, um profissional exemplar, um homem com honra, com bondade e com bom coração. Tudo aquilo que falta ao presidente da FIFA. Em vez de defender o seu desporto e os seus melhores praticantes, como o Cristiano, prefere gozar. Prefere tentar humilhar. Tentar ser engraçado. A sua dança e as suas palavras foram ridículas e lamentáveis. Conseguiu ofender um grande profissional. Um dos melhores jogadores de todos os tempos. Um exemplo, dentro e fora do campo, pela sua dedicação e desportivismo. Conseguiu injuriar todo um país: o meu país, o meu Portugal. Não merecíamos este tratamento. O futebol mundial também não.

O vídeo explica muita coisa. "Agora também podemos perceber por que Ronaldo não tem mais Bolas de Ouro. Este troféu é uma farsa. Se tinha dúvidas, dissiparam-se por completo ao ver o número de circo do presidente da FIFA", escrevi.

O panorama estava negro para o CR7. Se a missão de ser melhor do que o Messi durante o ano já era difícil, com o sistema corrupto de Blatter contra ele, era praticamente impossível que o Cristiano conquistasse outra Bola de Ouro. Mas para o ‘Bicho’ não há impossíveis. Hoje entendo perfeitamente quando o Cristiano falhava um golo e fazia aquele esgar de desespero, ou quando se zangava dentro do campo com um companheiro por não lhe passar a bola. E entendo também a ‘cara de poucos amigos’ quando não fazia golos e a sua equipa ganhava. Cada golo que falhava e cada jogo em que não fosse o protagonista eram pontos para Messi.

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Aquele ‘egoísmo’ do Cristiano dentro do balneário significa respeito. Um companheiro pode não lhe passar a bola uma vez, mas sabe melhor do que ninguém que, se volta a fazer o mesmo, levará uma bronca monumental do seu líder à frente de 90 mil pessoas. E assim que chegar ao balneário levará uma segunda bronca, desta feita perante todo o grupo.

Aliás, se o ‘Bicho’ não marcar, a ‘azia’ não desaparece facilmente, e esse jogador ainda pode ser alvo da terceira bronca... No hotel, no avião ou por telefone, quando estiver em casa com a mulher ou a namorada. Aquele egoísmo também o ajudou a ganhar as últimas quatro Bolas de Ouro .Muitos parabéns, THE BEST.

CALDEIRADA DA SEMANA -- Dugarry não poupa Neymar

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Cada vez que o ex-internacional francês Christophe Dugarry fala de Neymar, as suas declarações correm meio Mundo. "Neymar parece que já é o chefe do PSG. Unai Emery deveria intervir, se não, brevemente, ele vai dar os treinos e fazer o onze", disse, a propósito do episódio com Cavani. Dugarry voltou agora à carga e não poupou o brasileiro após o jogo com o Marselha. "Pensou que estava na sua sala ou a jogar futsal com os amigos. Não é o Neymar da Bola de Ouro que todos imaginámos." Deve faltar muito pouco para Neymar dedicar um golo a Dugarry e começar aqui uma grande novela entre os dois...

NÓS LÁ FORA -- O novo rei de Valência

A época passada foi desastrosa para o Valencia e os seus adeptos chegaram a pensar que desceriam à 2.ª Divisão. Mas o futebol e incrível. Hoje, escassos meses depois daquele autêntico pesadelo, todos estão felizes e sonham ganhar a liga. E para este trajeto extraordinário ser possível, há que agradecer a um português. Se a liga terminasse hoje, o melhor jogador não seria nem o Messi nem o Cristiano, mas sim Gonçalo Guedes. Este menino, de 20 anos, conseguiu, em pouco mais de dois meses, algo que só está ao alcance dos grandes génios. Tem Espanha rendida aos seus pés e é o novo rei de Valência. Sem palavras, Gonçalo!

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ÁLBUM DE RECORDAÇÕES -- Pesadelo milanês

Depois das contratações que fez o meu AC Milan no verão, pensava que, finalmente, os rossoneri voltavam a lutar pelo título. Este entusiasmo cresceu quando nos primeiros dois jogos do campeonato somou os seis pontos e, apesar de perder, 4-1, em Roma ,com a Lazio de Nani, a equipa reagiu bem e voltou às vitórias. Em cinco jornadas tinha 12 pontos e estava na luta com os dois líderes Nápoles e Juventus, que tinham 15 pontos. Mas, inexplicavelmente, nos cinco jogos seguintes só somou quatro pontos e antes da jornada deste fim de semana já estava a 12 pontos do Nápoles, a 10 do Inter e a 9 de Juventus e Lazio. Estamos em outubro e os rossoneri já disseram adeus ao título e à Champions League. O pesadelo continua.

Por Paulo Futre
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