Paulo Futre
Paulo Futre

Bem vindo Bernardo

Em 1995, era jogador do AC Milan e depois de ser operado ao joelho um jornalista italiano foi super direto e também muito cruel quando me fez esta pergunta: "Esta é a tua terceira operação em três anos, estás com 29 anos e nunca mais voltarás a ser o jogador que eras… Gostava de saber quem vai ser o teu sucessor esquerdino?"

"O futebol, em Portugal, teve três canhotos de ouro, considerados dos melhores do Mundo na sua geração. O primeiro foi Simões, o segundo Chalana e por último tu. Para ti, o Dani, depois do sucesso que teve no campeonato do Mundo sub-20 no Qatar, poderá ser o quarto grande canhoto da história do futebol português ou achas que será outro?", acrescentou. Fiz uma pausa e respirei antes de responder. Estava ainda com o gesso, tinha uma pequena esperança em voltar a ser o jogador que era e aquele jornalista já me tratava como um ex-futebolista. A minha vontade era mandá-lo para outro lado, mas no fundo ele tinha toda a razão. O meu joelhinho precisava de um milagre para sair das urgências e respondi-lhe tranquilamente. "Sem dúvida alguma, o Dani é um génio e tem tudo para ser o quarto grande canhoto da história do futebol português e também um dos melhores jogadores do Mundo". Um ano depois estava em Inglaterra, no West Ham, e na minha equipa jogava um génio canhoto que estava a rebentar com tudo e a ser a grande revelação da Premier League. Este craque era o Porfírio. No ano anterior, o Dominguez tinha estado no Birmingham, na segunda divisão inglesa, e demonstrou o canhoto genial que era e foi contratado pelo Sporting. Naquela época, Boa Morte (outro esquerdino genial) já era titular do Sporting e em Inglaterra diziam que já tinha assinado pelo Arsenal. Um jornalista inglês, naquela altura, fez-me esta pergunta: "Quem vai ser o quarto grande canhoto do futebol português: Dani, Porfírio, Dominguez ou Boa Morte?" "O Dani tem todas as qualidades, mas os outros três também são geniais. Vamos esperar", respondi.

PUB

No ano seguinte, estava em Espanha, no Atlético Madrid, mas no futebol espanhol já estava outro jovem português com uma canhota de ouro, que era o Agostinho. E desta vez foi um jornalista espanhol a perguntar-me "quem vai ser o quarto grande canhoto do futebol português: Dani, Porfírio, Dominguez, Boa Morte ou Agostinho?"

Estamos em 2017, já passaram 22 anos desde a primeira pergunta, e ainda hoje ela mantém-se. A mim e aos únicos e pequenos-grandes génios: Simões e Chalana.

Nestes anos todos, tivemos várias ameaças que algum esquerdino ia chegar ao top dos tops, mas esta ameaça – seja por que motivo fosse – nunca se concretizou até à última terça-feira, aquando do jogo entre o Manchester City e o Monaco.

PUB

Aquela partida da Champions terminou 5-3, foi um hino ao futebol ofensivo e um dos melhores jogos que vi nos últimos tempos, com jogadas espetaculares realizadas por autênticos craques da bola. E um destes protagonistas é português e canhoto. Na primeira parte, quando o Bernardo Silva pega na bola, finta dois adversários e faz um túnel do outro planeta ao terceiro rival, que era o gigante Yaya Touré, levantei-me do sofá da minha casa. E no momento que faz o passe genial com a sua canhota de ouro isolando Falcão meti-me de joelhos. Impressionante miúdo, uma jogada assim só está ao alcance dos melhores jogadores do Mundo, disse eu depois de ver aquela obra de arte.

Nestes últimos dias, depois daquele jogo, a imprensa escrita espanhola disse frases como estas: "O vice-presidente do Monaco, Vasim Vasilyev, confirma que Manchester City, Chelsea, Barcelona e Real Madrid estão atrás do craque português"; "outra pérola com ADN Barça que pode escapar ao Barça" ou ainda "o primeiro objetivo do Real Madrid na equipa do Monaco era e continua a ser Bernardo Silva".

Por todos estes motivos, Simões, Chalana e quem escreve estas linhas podem dizer que, finalmente, depois de tantos anos, já temos companhia. O quarto grande canhoto do futebol português acaba de chegar. Bem-vindo ao clube, Bernardo!

PUB

CALDEIRADA DA SEMANA

Grande Mourinho

Esta semana, o Mundo do futebol ficou estupefacto quando saiu a notícia que o Leicester tinha despedido Claudio Ranieri. O técnico italiano recebeu muitas mensagens de solidariedade e uma delas foi de um velho e duro inimigo. E foram estas as frases que o Mourinho escreveu no Instagram: "Campeão inglês e melhor treinador do Mundo despedido. É este o novo futebol, Claudio, continua a sorrir amigo. Ninguém pode apagar a história."

PUB

Pensei para mim… Grande Zé!

NÓS LÁ FORA

Força Paulinho

PUB

Depois da Fiorentina, ganhar o jogo da primeira mão por 1-0, na Alemanha, ao Borussia Moenchengladbach, tudo indicava que a equipa treinada por Paulo Sousa iria estar nos oitavos-de-final da Liga Europa. Na quinta-feira, no jogo em casa, os italianos ganhavam 2-0 e, inexplicavelmente, em 16 minutos os alemães marcaram quatro golos, passaram a eliminatória e começou uma grande caldeirada em Florença. Na imprensa e nas redes sociais italianas, o único culpado é o Paulo Sousa. Está a ser crucificado cruelmente e na minha opinião injustamente. Foram eliminados porque os jogadores adormeceram completamente. Paulinho, muita força, amigo, neste momento difícil.

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES

Último clássico

PUB

Já falta muito pouco para a ‘morte’ do estádio onde passei alguns dos melhores momentos da minha vida com a bola nos pés, e especialmente de fato e gravata, quando fui homenageado no centro do campo em janeiro de 1997, num jogo entre o Atlético Madrid e o Real Madrid, com o emblema de ouro e brilhantes da equipa colchonera. Hoje, joga-se o último clássico para a liga no mítico e histórico Estádio Vicente Calderón entre o Atlético e o Barcelona. Mais de uma lágrima terei no seu último dia de vida, mas até lá vou desfrutar cada jogo como o desta tarde.

Por Paulo Futre
Deixe o seu comentário
PUB
PUB