_

Paulo Futre
Paulo Futre

Clube dos grandes aventureiros

Depois de terminar a minha carreira como profissional de futebol, em 1998, e sempre que estava numa reunião de amigos, muitas vezes a conversa terminava com o futebol como tema. As perguntas sobre as minhas aventuras pelos países onde joguei eram sempre obrigatórias. A cultura, a mentalidade das pessoas, a música ou até mesmo a política eram sempre assuntos sobre os quais tinha que responder.

Obviamente que não fiquei a conhecer tudo por cada sítio por onde passei, mas acabava por dizer o que mais me surpreendia tanto em termos positivos como negativos. Quando me retirei, era o jogador português que em mais países tinha atuado: Espanha, França, Itália, Inglaterra e Japão. Cinco países, todos eles diferentes, e cada um com os seus hábitos e tradições. Talvez por ser dos primeiros, mas também porque fazia parte da minha maneira de ser, eu era naquele tempo o rei dos aventureiros. Pensei, sinceramente, que este recorde não seria batido, mas estava enganado.

PUB

Hoje, quando os filhos destes meus amigos me colocam as mesmas perguntas que os seus pais, respondo da mesma forma, embora com uma diferença: "Agora já não sou o rei . Esse trono passou para o meu amigo Abel Xavier."

Itália, Turquia, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Holanda e, por fim, foi um dos primeiros a abrir um novo mercado nos Estados Unidos da América. Dez equipas em sete países diferentes é obra e cada vez que estou com o Abel Xavier comporto-me como os filhos desses meus amigo.

A curiosidade invade-me e faço-lhe sempre perguntas sobre todos os países em que jogou e eu não: como Turquia, Alemanha, Holanda e Estados Unidos. As experiências e aventuras que o Abel Xavier viveu por todos estes países são únicas, dignas de se ouvir e sem dúvida que merecem um livro. Trata-se de uma história de vida impressionante.

PUB

Esta semana recordei-me de tudo isto por causa da apresentação de José Peseiro como treinador do FC Porto. Sempre tive uma grande admiração por ele. Se há outra pessoa, além do Abel, com quem eu não falaria apenas e só de futebol, essa pessoa é o meu amigo Zé. Tal como nós, ele faz parte do reduzido clube dos grandes aventureiros. Trabalhou em seis países diferentes, sendo dos portugueses com maior experiência no estrangeiro. Passou por Espanha, como adjunto do Real Madrid, Grécia, Roménia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito.

O novo treinador dos dragões tem uma história de vida fantástica e pode dizer que já viu quase tudo. Quando tiver a oportunidade de estar com o Zé, tranquilamente a beber um café, tenho a certeza que vou enchê-lo de perguntas e de toda a minha curiosidade. Serei quase um investigador a preparar um livro sobre os vários povos do Mundo. E esta será a minha primeira pergunta: "Como é viver e ser selecionador de um país como a Arábia Saudita, tão diferente do nosso, a nível social, cultural, politico e, sobretudo, religioso?"

Enquanto não se proporciona este encontro, quero dar-lhe os meus parabéns pelo regresso ao futebol português como técnico de um grande, como é o FC Porto. Tenho muito orgulho, como potuguês, no grande trabalho que ele desenvolveu por esse mundo fora, mas já tinha saudades de vê-lo, novamente, no nosso campeonato.

PUB

Caldeirada da semana -- Mais uma do Real Madrid

Na passada quarta-feira, o portal de internet Football Leaks – que tem praticamente todos os dias exposto casos confidenciais de clubes, jogadores e empresários – revelou o valor que o Real Madrid pagou ao Tottenham pela transferência de Gareth Bale. Os documentos mostraram que o galês custou mais do que Cristiano. Foram 101 milhões de euros e não 91 milhões, como o presidente do clube madrileno, Florentino Pérez, afirmava. Este ano as caldeiradas não param no Real Madrid.

Nós lá fora -- O guerreiro Carriço

PUB

O jogador português foi fundamental para o êxito do Sevilha, que conquistou as duas últimas edições da Liga Europa. Uma rotura muscular na perna direita impediu o defesa-central de jogar desde agosto e só agora, neste mês de janeiro, em que regressou, completa três jogos com outras tantas vitórias. Depois de um início de temporada muito atribulado para a equipa sevilhana, certamente que Unai Emery desejava ansiosamente o regresso de um dos seus líderes. O Carriço é um autêntico guerreiro!

Álbum de recordações-- Campeonato louco

Quando menos esperas, as surpresas acontecem. As últimas jornadas desta edição da Liga têm sido disso exemplo. Tudo isto recorda-me o campeonato de 1985/86, em que, tal como agora, existiram muitas surpresas. Uma autêntica loucura. Na penúltima jornada, o Benfica dependia dele próprio para conquistar o título. Perdeu, em casa, com o Sporting, enquanto nós, FC Porto, ganhámos em Setúbal, passando para a liderança. Na última ronda, recebíamos o Sp. Covilhã, que já estava despromovido. Esse jogo acabou por ser o retrato de todo o campeonato. Na segunda parte, perdíamos por 2-1 e tudo podia acontecer. Felizmente conseguimos dar a volta!

PUB

Por Paulo Futre
Deixe o seu comentário
PUB
PUB