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Fiquei preocupado quando verifiquei que o Cristiano Ronaldo não jogava o Rayo Vallecano-Real Madrid, da semana passada, devido a uma lesão muscular, e mais preocupado fiquei quando ele voltou a ficar de fora na terça-feira, na partida frente ao Manchester City.
Cristiano tem a possibilidade de ganhar a Liga espanhola, a Champions Legue e, individualmente, a Bota de Ouro . Ele tudo fará para estar em campo nestes últimos jogos, que, no fundo, constituem autênticas finais. Mas uma rotura é um perigo. Se forças a máquina, o músculo pode rebentar... e logo quando o Europeu de França está tão perto.
Esta grande preocupação já todos nós, portugueses, vivemos por esta altura, em 2014. O Cristiano também podia ganhar tudo, mas teve, durante vários meses, uma tendinite no joelho de grau elevado. Só que também precisava de correr riscos para ser campeão do Mundo .
O problema aumentou em pleno Campeonato do Mundo do Brasil. Cristiano tinha o joelho destroçado e a participação no Mundial foi um desastre para Portugal. Quando o melhor jogador do Mundo não está bem, a Seleção fica condenada ao fracasso. Se me encontrar com o Cristiano nos próximos dias, vou dizer-lhe que não arrisque, porque temos o Euro dentro de pouco mais de um mês. Conhecendo-o como o conheço, sei que não me ligará nenhuma, porque, nestes grandes momentos, um jogador faz tudo para estar em campo.
No meu tempo, a única solução que existia para eliminar a dor e poder jogar eram as infiltrações de cortisona. Trata-se de uma estratégia que funciona a curto prazo, mas que se torna um veneno diabólico mais tarde. Disse muitas vezes que não a este maldito remédio, mas, noutras circunstâncias, não tive forma de evitá-lo.
E aponto dois exemplos. A primeira infiltração foi com o FC Porto na Ucrânia, nas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus, em 1987, no jogo da segunda mão, frente ao Dínamo Kiev. Levei sete infiltrações de cortisona no tornozelo direito nos três dias antes da partida. No meio da eliminatória, tive uma entorse de grau elevado com o Belenenses, no Estádio das Antas, e a única maneira de poder jogar era ser infiltrado novamente. Consegui jogar.
Dois meses depois, durante as férias, deixei-me dormir na praia e, quando acordei, uma hora depois, senti umas dores insuportáveis no pé direito. Começaram a aparecer bolhas no sítio onde levei as infiltrações. Entrei em pânico, fui ao hospital e... tinha uma queimadura de primeiro grau.
A segunda foi por ocasião dos último dois jogos de qualificação para o Mundial dos Estados Unidos de 1994. Eram duas finais para Portugal e eu tinha uma tendinite no joelho que praticamente não me deixava correr. A única solução para jogar aquelas duas finalíssimas com a camisola das quinas era uma vez mais a maldita cortisona.
Recebi as primeira infiltrações na noite anterior ao jogo contra a Estónia, no Estádio da Luz, e repetimos a dose uma semana depois, frente a Itália, no dia 17 de novembro de 1993, em San Siro. Recordo-me tão bem desta data, porque quatro dias depois, foi a minha estreia com a Reggiana no calcio e a tragédia aconteceu. Era o meu primeiro jogo no campeonato italiano, o joelho não aguentou e o tendão rotuliano estoirou completamente. Foi a lesão mais grave da minha carreira. No dia seguinte, fui operado pela primeira vez em Verona. Mas nunca me arrependi da decisão que tomei e, hoje, muitos anos depois daquele triste dia, estou convencido que voltaria a fazer o mesmo.
Se houve momentos em que nunca podia dizer que não às infiltrações de cortisona eram aqueles dois. Estava a um passo de concretizar dois grandes sonhos. Voltar a estar num Mundial com o meu país e voltar a jogar uma final da Champions. Não podia evitar a maldita cortisona.
Não sei se o Cristiano será infiltrado com outra substância que não seja a cortisona para as finais que tem pela frente, mas o que é certo e que irá fazer tudo para jogar. O risco será elevadíssimo. Todos nós, portugueses, e começando pelo selecionador Fernando Santos, só podemos rezar para que o ‘Bicho’ não piore e que chegue nas suas melhores condições ao Europeu. O nosso sofrimento começa já na quarta-feira, no Estádio Santiago Bernabéu.
Caldeirada da semana -- Rummenigge
O presidente executivo do Bayern Munique fez estas declarações depois da sua equipa eliminar a Juventus nos oitavos-de-final da Champions. "Se vemos jogos como o Atlético Madrid -PSV ou o Wolfsburgo-Gent, percebe-se a diferença de qualidade destas equipas em comparação com a Juventus, que agora está eliminada. Temos de discutir esta situação na UEFA." As palavras de Rummenigge foram um insulto para todos os adeptos do Atlético. Depois da derrota, por 1-0, do Bayern contra os colchoneros, Rummenigge já deve estar arrependido do que disse. Se os alemães forem eliminados, terá pesadelos até ao último dia da sua vida.
Nós lá fora -- Daniel Carriço
Depois de vencer, por duas vezes, a Liga Europa, o capitão do Sevilha volta a estar muito perto de mais uma final da mesma competição. Sem ser um habitual convocado da Seleção Nacional, e após atravessar uma lesão grave, o português volta a estar num grande momento da sua carreira. Tendo em conta tudo o que está a fazer, não me admiraria nada que Daniel Carriço estivesse nos 23 convocados para o Euro de França. Como português, seria o máximo ver o Carriço, como capitão do Sevilha, levantar a taça da Liga Europa de 2016. Seria fantástico!
Álbum de recordações -- FC Porto-Sporting
Jogou-se ontem um clássico do futebol português e, como sempre, recordei os meus tempos de profissional. Foram muitos os jogos em que participei entre o FC Porto e o Sporting. Foi um grande privilégio representar ambas as equipas. Mas, quando se defrontam no Porto, tenho obrigatoriamente de recordar um péssimo dia. Nos três anos que joguei pelo FC Porto, a única vez que perdi no mítico Estádio das Antas foi numa partida para a Taça de Portugal. E foi contra o Sporting...